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Leituras do Último: Uma fenda na muralha

por O ultimo fecha a porta, em 22.09.17

Trata-se de um livro de Alves Redol, "Uma fenda na muralha" e li por sugestão do Robinson.

 

História

IMG_20170922_115740.jpg

 

Passa-se na Nazaré e relata a estreia em alto mar do barco de um pescador que é a personagem principal da história. O nome de guerra é Zé Diabo Negro, cujo simbolismo, é intencional. Uma figura machista, viúva, violenta, ego vincado e que sempre viveu o desafio da pesca no mar traiçoeiro da Nazaré.

A história começa com a festa dedicada à inauguração do barco de pesca mais recente da vila piscatória e que pertence ao Zé Diabo. Aí é desafiado pelo filho, aspirante a suceder o pai nas lides, a lançar-se em alto mar numa noite de tempestade, num misto de desafio, luta de egos e teste à embarcação, uma vez que outro pescador "concorrente" já decidiu que vai arriscar. Grande parte da narrativa descreve a angústia, o desespero e medo que os pescadores sofrem quando vão para alto mar, apontando para o fim trágico, que se confirma, uma vez que não chegam todos vivos a terra.

 

Opinião 

É um livro muito diferente daqueles que já li, pois passa-se na Nazaré e uma realismo e capacidade descritiva muito interessante. A escrita é muita fluida, emocionante e muito envolvente. 

 

 - História portuguesa

A ação passa-se Nazaré, uma realidade portuguesa e bem real. Para quem vive ou conhece a cidade consegue reencontrar-se facilmente com a história e com as personagens.

 

- Realismo da ação

Conseguimo-nos envolver muito facilmente na história, tal o realismo da descrição. A forma como é descrita a intensidade da tempestade, o sofrimento, medo e angústia de quem vai no mar e de quem fica em terra, o ego de emprestar o leme do barco a um novato, o ego de perder uma competição que no desespero se transforma em solidariedade, as promessas à Nossa Senhora da Nazaré e toda a envolvente são de alguém que sentiu a necessidade de viver para contar como li aqui

- Riqueza do vocabulário

Esta foi a principal dificuldade. Existem algumas palavras "técnicas" da pesca e algumas expressões que não são usadas no nosso quotidiano e por isso é uma descoberta. 

 

Em suma, é um livro muito bem escrito que vale a pena ler e que nos incute mais respeito pela dura profissão de pescador e uma viagem ao sentimento e mar nazareno.

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publicado às 14:07


18 comentários

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De mami a 22.09.2017 às 14:59

tentador!
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De redonda a 22.09.2017 às 16:08

Ainda não li, e vou procurá-lo, parece ser um bom livro

um beijinho e bom fim-de-semana
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De Marta Elle a 22.09.2017 às 16:44

Nunca tinha ouvido falar nesse livro. Fiquei curiosa.
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De Maria Araújo a 22.09.2017 às 16:54


Conheço o livro de há muitos anos, mas já não recordo bem a história.
Não tenho nenhum livro em casa deste autor.
E gosto de autores portugueses.
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De Cláudia a 22.09.2017 às 17:12

Ainda cá passei hoje e talvez, se conseguir, Domingo, que esta vida é um vicio =P

Muito obrigado pelas tuas palavras. =)

Em relação ao livro, não sei se iria gostar. Mas até falas bem dele.
Mas ando noutros tipos de literatura =)

Beijocas
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De Robinson Kanes a 22.09.2017 às 17:25

Grande elogio ao Sr. Alves Redol.

Como já te tinha dito, agora é entrar na "Barca dos Sete Lemes" :-)
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De O ultimo fecha a porta a 25.09.2017 às 23:04

É no mar da Nazaré também?
Vou ao eça de queirós agora:)
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De Robinson Kanes a 26.09.2017 às 08:36

Não, esse é nas águas do Tejo e nas terras do Ribatejo :-)
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De Carlos a 22.09.2017 às 18:05

Olha, é um livro que de certeza me iria interessar!
Um bom fim de semana.
Abraço
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De HD a 22.09.2017 às 18:56

O Robinson deixou-nos sugestões de qualidade, mas queremos mais :-)
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De cheia a 22.09.2017 às 21:10

Não conhecia este livro de Alves Redol. Dele, que me lembre, li "Gaibéus"
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De Magui Ferreira a 23.09.2017 às 23:04

Já leste Os avieiros, do mesmo autor?
É sobre a migração no princípio do século passado, de gentes da minha zona para o Ribatejo.
Ainda hoje por lá se mantêm os descendentes dos Avieiros.
Excelente livro.

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