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Viver sozinho #9 - o mecânico

por O ultimo fecha a porta, em 16.11.17

Não ter o pai ao pé para tratar dos assuntos do carro é um dos desafios com que fui confrontado. 

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Apenas comprei o meu carro em 2012, após dois anos de trabalho. Até lá andei com um velho dos meus pais.

 

Quando o comprei e fiquei sem o meu pé de meia, a parte dos pagamentos ficou comigo - impostos, seguro e afins era eu que pagava, mas a parte "operacional" era com o pai.

Refiro-me a quê? Óleo, inspeções, revisões, pneus, pressão do ar, nível da água, etc. O meu pai não delegava e eu não fazia questão. 

 

Pois bem, desde há dois anos e meio atrás que o pai só vê o carro ao fim de semana.

Sou eu quem leva o carro ao mecânico quando é necessário e tenho que responder àquelas questões "mais técnicas" que não faço ideia. 

Qual o risco que tenho? Ser comido por lorpa por mecânicos mais trafulhas. Mas aí, o pai fica com o peso na consciência a adiamos para os sábados de manhã. 

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publicado às 19:56

Viver sozinho #8 - o tamanho das embalagens

por O ultimo fecha a porta, em 19.10.17

Já critiquei aqui o tamanho das embalagens dos medicamentos, em que não são muitas vezes ajustadas à duração do tratamento.

 

Hoje, venho desabafar sobre as embalagens dos perecíveis que não são muitas vezes adaptadas a quem sozinho. 

 

Um caso concreto: os legumes cortados para sopa que se vendem nos supermercados.

Quem vive sozinho tem duas opções:

i) ou compra perecíveis isolados e tem o trabalho de os lavar e cortar, podendo ficar mais caro 

ii) ou compra embalagens desajustadas, pagando o desperdício

 

Acho que devia haver embalagens mais pequenas, tendo em conta o tipo de alimentos. Já vi no Jumbo tem caixas pequeninas para os cogumelos e salcichas, que são outro tipo de alimentos que depois de aberto tem de se comer. Assim, não evita-se o desperdício.

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publicado às 19:51

Solteiro, ponto.

por O ultimo fecha a porta, em 03.10.17

Na 6ª feira, foi o dia do solteiro. É justo. Há o dia dos namorados e há o dia dos solteiros.

 

Acho que na nossa sociedade existe muito preconceito com os solteiros, sobretudo os que não têm relação assumida e têm mais de 30 anos.

O adjetivo solteiro passa automaticamente para o grau aumentativo para o "solteirão" ou "solteirona". No escárnio e maldade, um homem ou é um homossexual que saiu do armário ou não tem a virilidade suficiente para segurar um mulher. Uma mulher solteira é logo uma "tia" é igual ou não consegue ter um homem que a ature.

Que pensamentos mais estúpidos, provincianos e mesquinhos!

 

Porque é que a sociedade entende que uma pessoa só é feliz se casar ou tiver um amante? Há pessoas que são solteiras por opção, porque não encontraram quem as complete ou por traumas do passado.

Pior, quantas pessoas são casadas e são infelizes? Com discussões constantes, violência física, sexual ou psicológica? É preciso ter sorte e depende muito das personalidades.

 

Mais e aquelas pessoas que passam a vida a perguntar e pressionar os outros se já têm namorada/o, fazendo-os sentir mal com tanta insistência. Será que é tão direto associar uma relação amorosa à felicidade? Acho que não. Pode ajudar, mas pode ser o oposto.

 

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publicado às 19:13

Viver sozinho #7 - azeite queimado

por O ultimo fecha a porta, em 27.09.17

Por aselhice minha ou porque é mesmo assim, tenho salteado legumes e o meu tacho fica com o azeite colado no fundo. O problema é que não sai!

 

Fui ao Youtube e num daqueles vídeos brasileiros que há para tudo e mais alguma coisa, descobri uma solução e resulta mesmo. Colocar água a fever e sal durante 15 minutos e depois lavar.

 

Não é que resultou! 

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publicado às 22:05

Viver sozinho #6 - as férias

por O ultimo fecha a porta, em 24.08.17

As férias não são só o descanso do trabalho.

É também aquele momento em que regressamos ao porto seguro, junto da família e amigos e em que podemos fazer a real e implacável balanço de viver sozinho. Os seus prós e os seus contras.

 

Família

Efetivamente ter o jantarzinho feito, ter a família para falar, partilhar histórias, desabafos e cusquices (esta parte q.b.  ) e matar saudades é o melhor que há. Voltamos ao nosso quarto, ao nosso colchão, ao nosso sítio na mesa e ao conforto do lar que nos acompanhou a vida toda.

 

Mas tem o reverso da medalha.

Quando estamos sozinhos habituamo-nos a ter a nossa privacidade e a ter nossa gestão de horários e tarefas.

Quando começamos a estar muitos dias com os pais começam a vir também as situações que já estamos com muito vontade aturar, os controlos, o "meterem-se onde não são chamados" e pensamos ... "daqui a pouco tempo ponho-me andar"

 

Amigos

Depois, há a parte social. Os amigos que ficam na terra-natal e que ao fim de semana nem sempre dá para visitar/falar. Uma das coisas boas é essa socialização e ter tempo para pôr a conversa em dia .

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publicado às 19:42

Viver sozinho #5 - a roupa

por O ultimo fecha a porta, em 27.07.17

Tratar da roupa é outro dos grandes desafios, mas confesso aqui que sou daqueles que não tem a casa equipada com máquina de lavar e que ainda não investiu numa. Ainda leva aos fins de semana a roupa para casa dos pais. Porém, não é por isso que não há mudanças.

 

Viver sozinho implica ter de passar a roupa a ferro. Apesar de agora não ter andar de fato, isso não significa que ande com a roupa amarratada.

 

Antes de morar sozinho,

- deixar a roupa usada no cesto da roupa

- chegar ao armário e a roupa passada e arrumada.

(Não, não era mimado, mas como chegava muito tarde a casa, a mãe fazia o favor de "ajudar" o menino)

 

Depois de morar sozinho:

- a roupa não aparece arrumada sozinha!

É necessário arrumá-la e colocá-la em sítios estratégicos para sabermos onde está na manhã seguinte! 

Já cometi um erro que foi deixar uma roupa misturada e depois nunca mais me lembrei dela. Sigo as intruções da mãe ao arrumar por tipologia.

- Dobrar roupa

Parece básico, quando são os outros a fazer, mas dobrar roupa tem direitas e técnicas para não deixar vincos. 

- Passar a ferro

A fase mais complicada. A mãe já não passa as camisas e os pormenores são muitos: a temperatura do ferro, o avesso, os colarinhos e ... não se pode passar os tingimentos das t-shirts a ferro! 

Pois bem, felizmente algumas marcas colocam um autocolante a avisar e ainda bem que o fazem, pois existem candidatos a assassinos de t-shirts que não sabem esse pormenor básico.

- O espelho que só a mãe vê

De manhã não sou muito narcisista ... pelo que só me penteio. Já não há a mãe a ajeitar o colarinho, a chamar a atenção para isto, para a aquilo ou até para mancha/nódoa que apareceu misteriosamente.

 

A maquina de lavar e o dilema das cores é uma luta para a qual ainda não me meti.

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publicado às 19:03

Viver sozinho #4 - animais de estimação

por O ultimo fecha a porta, em 06.07.17

Foi das coisas que mais me custou: deixar de ver o meu cão todos os dias.

Agora só ao fim de semana.

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Quando vim viver sozinho, decidi não adotar nenhum animal. Por vários motivos:

 

   i) o animal ficaria o dia todo sozinho em casa

   ii) vivo num apartamento. O animal teria de ficar dentro de casa fechado sem nada para fazer

   iii) o maior problema: se ao fim de semana cou a casa dos pais, quem tomaria conta dele? Ficaria dois dias sozinho? E nas férias, como iria ser? Pior, se o levasse para casa dos pais, como iria ser a relação com a "senhora" já existente?

   iv) esta situação é "até um dia". Não sei se daqui a 2 ou 6 ou 12 meses torna a mudar de emprego e tenho que mudar de cidade novamente, como fica o bicho?

 

Como acho que não conseguiria dar o amor, a atenção e o tratamento que um animal de estimação merece e quero dar, prefiro ser responsável e não ter nenhum. 

 

Mas lá que faz falta, faz. Ter alguém à nossa espera, que brinque, que encha de labidelas, foi das coisas que mais falta senti!

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publicado às 23:46

Viver sozinho #3 - a ida às compras

por O ultimo fecha a porta, em 22.06.17

A ida às compras é daquelas coisas que não conseguimos fugir, pois temos que (sobre)viver. Nesta atividade mundana, notei imensas diferenças.

 

Antes de viver sozinho, só ia às compras para comprar algum produto especifico ou ia pela solução mais fácil:

"Mãe, compra-me isto por favor"

"Mãe, se fores ao supermercado, não te esqueças por favor de comprar aquilo"

Ou então lá vai uma sms:

"Mãezinha, podes-me comprar aqueloutro pf?"

Quando a mãe não comprava algo:

"Mãe, então não compraste aquilo?"

"Mãe, está a faltar isto"

"Mãe, não acredito que te esqueceste de comprar aqueloutro"

 

Depois de viver sozinho, a ida às compras é um tormento.

 

    i) A nossa cabeça não é uma máquina de gravação. Coitada da minha mãe! Se sozinho já são n coisas, imaginar uma casa com 4 pessoas e cada com os seus gostos é de loucos!!!

 

    ii) Serei só eu a colocar um post it na carteira para não me esquecer de alguma coisa? 

 

    iii) Serei só eu que me esqueço sempre de alguma coisa???? Pior, é estarmos a entrar do carro e lembrarmo-nos que falta "aquilo"! kkkkkk

 

    iv) Tenho a tendência para me lembrar do essencial (iogurtes, cereias e afins), mas quando sai algo fora do dia-a-dia (entenda-se detergente, guardanapos, etc) a probabilidade de me esquecer é elevadissima. 

O problema é quando o papel higiénico, mas esse deixo sempre de reserva 

 

    v) A escolha dos perecíveis

Sabem aquele momento em que o funcionário nos pergunta quer "flamengo" ou "limiano"? E nós não fazemos a mínima ideia do que costumamos comer? E quando chegamos à fruta? Como a escolher?

Pior, é perguntar à senhora do talho, qual a melhor forma de congelar bifes? 

 

    vi) Os preços e as promoções

Outro terror de um consumidor iniciante. O preço e a qualidade difere de supermercado para supermercado. Há o super-preço, há a promoção, há o desconto em talão, há o desconto em cartão, há ...

Serei só eu a chegar a ficar o horas a olhar para a vitrine a pensar: estes iogurtes são mais saudáveis e mais caros, mas aqueles são mais baratos. Mas a diferença é só 0,30 €. Qual deles levo? 

 

Mãe, queres vir fazer as compras por mim?

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publicado às 19:12

Viver sozinho #2 - cozinhar arroz

por O ultimo fecha a porta, em 01.06.17

Até Agosto/15 nunca tinha cozinhado nem ligado o fogão.  Foi sempre a minha mãe a cozinhar ou a deixar a comida preparada. Quando tive que viver sozinho, surgiu a questão: como jantar? 

 

No primeiro ano, quem já passou por isto, sabe que há prioridades no investimento da nova casa. Como a cantina da nova empresa tem serviço de take away, os primeiros meses desenrrasquei-me assim.

Comprar tachos, base para quentes, panelas, grelhador, isto e mais aquilo ainda fica caro (já para não falar na Bimby), além dos ingredientes.

 

Farto de comer sempre comida de fora, num dia com paciência, comprei um tacho, arroz, azeite e sal. Mas cometi um erro: não vi a minha mãe a fazê-lo e acho que não vi os vídeos certos do YouTube. 

 

Receita da mãe:"Ferves a água, colocas o arroz (metade da proporção), água e sal e deixas cozer". Pensamento: parece simples, não é?

 

Não, não é!!!! A primeira vez que fiz arroz foi o maior pesadelo que possam imaginar !!! As dúvidas acumulam-se:

   - Qual tacho? Comprei o correto?

   - A água ferve com o lume em que tamanho?

   - O testo põe-se ou tira-se?

 

Quando ferve, começam mais dúvidas:

   - Qual a quantidade de azeite?

   - E o sal? O que é "q.b."????

   - É suposto mexer? Vai-se mexendo?

   - Mexe-se com um colher normal ou de pau?

 

Esclarecido com a mãe, ao fim de 5 minutos, com o tacho fechado, este começou a deitar fora e a minha testa a transpirar"  !!! Ligo à minha mãe e ela escandalizada pergunta-me:

 

     - Mãe: Então não reduziste o lume??????? 

     - Eu: Eu não ... é preciso reduzir? 

     - Mãe: Sinceramente, não acredito que estás a deixar no máximo!!!

 

Ultrapassado o drama, surgiu outro problema:

- Como saber que está pronto?

 

Ainda hoje, não atino com a quantidade de sal e quase desisti de fazer arroz. Já só faço massa. Pior, ainda me armo em fit e tento o arroz integral. Claro que ia deu m****. Juro que admiro quem saiba fazer arroz. Parece a coisa mais básica, mas não acho nada fácil.

 

P.S. O post das tarefas domésticas foi o mais comentado de 2017 e pelo feedback que recebi muitas pessoas reviram-se na minha "experiência". Assim, às 5ªs feiras, criei esta rubrica "Viver sozinho #" onde vou contar peripécias desta aventura.

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publicado às 22:42

Viver sozinho #1 - Tarefas domésticas

por O ultimo fecha a porta, em 18.05.17

A Melhor amiga referiu num post sobre a desvalorização das tarefas domésticas pela sociedade de uma forma geral.

 

Vou falar da minha experiência. Enquanto vivia em casa dos meus pais, quer a estudar, quer no me400px-Broom_icon_svg.pngu antigo e primeiro emprego, era a minha mãe que:

 

- fazia a cama

- cozinhava

- limpava o pó

- lavava o chão, o casa de banho e companhia

- preparava o lanche

- fazias compras e planeava as refeições

- aspirava

- ... fazia todos os miminho para o menino

 

Quando vim viver sozinho, como já disse várias vezes no blog, porque mudei de emprego, verifiquei que essas "mordomias" acabaram. Se eu quero as coisas feitas, tenho de as fazer. Não aparecem feitas sozinhas. A necessidade assim o obriga.

Cheguei a partilhar aqui, a minha guerra com o cotão. Nestes dois anos que se completam em Agosto, é que tomei consciência que o trabalho doméstico é bem duro.

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publicado às 19:38


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