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Leituras do Último: A rapariga do comboio

06.04.17

Já quase toda a gente leu, mas só à dias é que me chegou por empréstimo. Ontem acabei de ler, por isso cá vão as minhas impressões.

 

O livro assemelha-se a um policial. Tem crime, suspense e vidas mundanas (confesso que gosto de histórias em que sinta alguma adesão ao "carne e osso" das personagens. Envolve três mulheres que mantiveram uma relação amorosa, mas numa encruzilhada de histórias, traições e problemas como o alcoolismo, a vergonha na assunção do falhanço pessoal e profissional e a dificuldade com a confrontação feminina com a maternidade (a esperada, a indesejada e a que tarda em ocorrer). Porém, a história não é nada lamechas, pois envolve a morte de uma dessas mulheres e toda a trama em descobrir o assassino e o que se passou na noite do crime.

O livro é de leitura ligeira e cativante. Pessoalmente, gostei bastante de o ler. Não conhecia a autora, Paula Hawkins, mas o suspense e escrita simples, levam-me a recomendá-lo.

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publicado às 22:08

Leituras do Último: Contagem decrescente

25.01.17

Acabei ontem de ler este livro de Ken Follet.Liv01040643_f.jpg

 

A história decorre na Guerra Fria. A personagem principal é um cientista que trabalhou para o lançamento do foguetão Explorer I e que, pouco antes do lançamento do satélite, acorda numa casa-de-banho pública, com uma amnésia profunda. Não sabe nada sobre si e toda a história se desenrola na recuperação da identidade.

O espaço temporal da história são poucos dias e envolve enigmas e espionagem.  Transporta-nos para o passado, tem mistério, mas uma realidade distante da portuguesa. Pessoalmente gostei do livro e da história, mas por vezes é confusa e não percebe bem de que "lado" cada personagem está.

 

 

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publicado às 22:40

O feriado das Marias

06.10.16

Houve duas Marias que me chamaram a atenção: a Maria Leal e a Maria Helena.

 

Quanto à Maria Leal, o trend topic das redes sociais, não há muito a dizer. O vídeo fala por si...

A outra é a taróloga da SIC. Aquela senhora com ar de avozinha querida e simpática.

 

Uma ida às compr1507-1.jpgas num feriado, implica ter mais tempo para reparar em pormenores.

 

Ora, reparei o top de vendas do Continente ontem tinha no 1º lugar o mais recente livro da Maria Helena. Trata-se de um livro do "Clube do livro" da SIC, que tem publicidade nos programas da estação de televisão e cujos autores são jornalistas ou colaboradores do canal.

 

Ora bem, e qual é o tema do livro?

 

Orações e rituais para proteger a vida e realizar os desejos dos milhares de seguidores de Maria Helena. Rituais de Luz reúne os rituais para encontrar a força e a energia do Universo para proteger e atrair a realização de muitos desejos: a sorte, a união familiar, o sucesso, a saúde, o amor e o dinheiro.

O livro para aprender os rituais, benzeduras, defumações e orações para atrair energias positivas para a vida e afastar para longe todo o tipo de energias negativas.

Dá-nos a conhecer o poder mágico das velas, ervas e plantas, incensos, cristais e amuletos usados desde tempos antigos.

Retirado da FNAC

 

Ora, se virmos bem, faz sentido estar no top do Continente. As pessoas que mais compram este tipo de literatura são precisamente o target-alvo do programa (donas de casa e reformados) e o sítio onde têm mais contacto com a literatura é o supermercado.

Se a lei o permitisse, o desconto em cartão seria a cereja no topo de bolo para a Maria Helena (não é permitido para os livros editados à menos de um ano fazer descontos superiores a 10%).

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publicado às 22:37

Regresso à leitura take 3: Onze minutos

25.06.16

O terceiro livro que acabei de ler é um autor lusófono, Paulo Coelho.

O livro conta-nos uma história de uma jovem e aventureira rapariga brasileira que entrou no mundo da prostituição, mostrando as suas hesitações, ambições e sentimentos. De certa forma, desmitifica a imagem pejorativa que a sociedade tem e constrói em torno desta atividade. A história vai mais longe, trazendo erotismo e exploração do prazer sexual, do ponto de vista de uma prostituta.

O fim da história é o previsível: a personagem encontra o verdadeiro amor de um homem que não tem preconceitos pela sua atividade ou pelo passado e ficam "felizes para sempre".

 

O livro é de leitura fácil e a história avança rápida. É uma boa história, mas sem grande suspense.

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publicado às 18:16

Regresso à leitura take 2: Cidades de papel

01.06.16

O livro da autoria de John Green conta uma aventura entre dois adolescentes finalistas do ensino secundário.

Uma história de leitura rápida, interessante, com personagens secundárias engraçadas, mas achei-o americanizado, sem grande lição de vida e parecia que a escrita já estava orientada para o filme.

Quertin e Margon são vizinhos e partilharam a infância numa amizade que se foi desvanecendo com o tempo. Em vésperas do baile de finalistas, ambos participam numa vingança amorosa planeada por Magron que executam numa noite, que será a última que estão juntos. No dia seguinte Margon desaparece misteriosamente e deixa pistas a Quervin do seu paradeiro, desenvolvendo-se grande parte da narrativa na resolução do enigma. A derradeira estabelece um limite de horas e uma localização precisa de onde Margon se escondeu do mundo. Quervin tem de atravessar grande parte do EUA para chegar ao local e leva consigo os seus amigos. A sua motivação é um amor platónico, uma profunda amizade e uma excitação de aventura.

É esta parte que me parece idealizada já a pensar no filme. O autor divide o livro com cada uma das horas de viagem a encher páginas e a aumentar o suspense. Até aparecem duas vacas na estrada que provocam um acidente (tão previsível!), mas ninguém fica ferido, apenas se atrasam. Porém, como esperado, Quervin chega antes do tempo e encontra a sua amiga, mas não ficam "apaixonados e felizes para sempre".

 

O que fica da história? A amizade quando existe de verdade, é cega. Ultrapassa montanhas e chegam ao infinito, mesmo a cidades de papel, i.e., cidades que não existem fisicamente, mas apenas baptizados nos mapas patenteados de modo a detetar pirataria. Além disso, todos nós temos uma imagem que defendemos e somos educados a cumprir certos protocolos. Porém, há alternativas. Podemos seguir o nosso próprio caminho, com toda a liberdade, mas arcando com as consequências.

 

Para dizer que achei o livro realista e com conteúdo, não achei. Achei sim uma ficção interessante e enigmática.

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publicado às 23:07

Regresso à leitura take 1: Navegador solitário

17.05.16

Como sabem resolvi retomar o hábito da leitura. Uma das sugestões que foi dada foi o "Navegador Solitário" de João Aguiar.

 

Confesso que não conhecia o autor, nem fiz batotice de ler os resumos nem as opiniões de outros bloggers. Queria matar aquela saudade de ler um livro até ao fim e descobrir o final! Não me arrependi. Dei por muito bem empregue o meu tempo.

O livro retrata o percurso de vida de um jovem miúdo entre a adolescência e o início da fase adulta sob a forma de um diário. Um diário forçado por uma esotérica imposição do falecido avó Aquilino). Os capítulos  têm nomes de marcos importantes na história portuguesa que fazem o paralelismo com o percurso de vida do protagonista, Solitão Fernandes.

O início é uma comédia, onde se preserva os erros de escrita e a inocência de um rapaz de 16 anos. À medida que o tempo e o diário vão avançado, a escrita vai refinando, tal como o interesse na história vai aumentando. Neste percurso de vida deste jovem dos anos 80/90, aborda-se temas tão atuais (em 2016) como: a prostituição infantil, a dependência das drogas, a emigração, a promiscuidade entre futebol e política, a promiscuidade entre sociedade de advogados e a ascensão nos partidos, os casamentos de conveniência, o abandono escolar para ajudar no negócio dos pais e a encarnação tão real da expressão: "Não há almoços grátis". A ambição deste jovem levou-o a pagar a um preço elevado ao ponto de ser pago por serviços sexuais ao seu patrão, que é também o seu futuro sogro.

 

O desfecho do livro surpreendeu-me. A personagem tinha tudo para alcançar o que sempre desejou, ou o que o seu exotérico avó queria para ele: um emprego garantido e prestigiado, uma carreira política bem encaminhada, um sogro rico, poderoso e que fazia tudo por ele, uma mulher abastada e que não fosse ciumenta.  Porém, percebeu que tudo tinha um preço: a felicidade efémera, os favores sexuais que o sogro lhe exigia e a distância da família. Prescindiu dessa categoria "de sonho" e procurou a sua dignidade junto dos seus.

 

Recomendo o livro. De fácil leitura e surpreendente.

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publicado às 22:56


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