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Trata-se de um livro de Alves Redol, "Uma fenda na muralha" e li por sugestão do Robinson.
História

Passa-se na Nazaré e relata a estreia em alto mar do barco de um pescador que é a personagem principal da história. O nome de guerra é Zé Diabo Negro, cujo simbolismo, é intencional. Uma figura machista, viúva, violenta, ego vincado e que sempre viveu o desafio da pesca no mar traiçoeiro da Nazaré.
A história começa com a festa dedicada à inauguração do barco de pesca mais recente da vila piscatória e que pertence ao Zé Diabo. Aí é desafiado pelo filho, aspirante a suceder o pai nas lides, a lançar-se em alto mar numa noite de tempestade, num misto de desafio, luta de egos e teste à embarcação, uma vez que outro pescador "concorrente" já decidiu que vai arriscar. Grande parte da narrativa descreve a angústia, o desespero e medo que os pescadores sofrem quando vão para alto mar, apontando para o fim trágico, que se confirma, uma vez que não chegam todos vivos a terra.
Opinião
É um livro muito diferente daqueles que já li, pois passa-se na Nazaré e uma realismo e capacidade descritiva muito interessante. A escrita é muita fluida, emocionante e muito envolvente.
- História portuguesa
A ação passa-se Nazaré, uma realidade portuguesa e bem real. Para quem vive ou conhece a cidade consegue reencontrar-se facilmente com a história e com as personagens.
- Realismo da ação
Conseguimo-nos envolver muito facilmente na história, tal o realismo da descrição. A forma como é descrita a intensidade da tempestade, o sofrimento, medo e angústia de quem vai no mar e de quem fica em terra, o ego de emprestar o leme do barco a um novato, o ego de perder uma competição que no desespero se transforma em solidariedade, as promessas à Nossa Senhora da Nazaré e toda a envolvente são de alguém que sentiu a necessidade de viver para contar como li aqui.
- Riqueza do vocabulário
Esta foi a principal dificuldade. Existem algumas palavras "técnicas" da pesca e algumas expressões que não são usadas no nosso quotidiano e por isso é uma descoberta.
Em suma, é um livro muito bem escrito que vale a pena ler e que nos incute mais respeito pela dura profissão de pescador e uma viagem ao sentimento e mar nazareno.
Estas férias li "Aquele instante de felicidade" de Federico Moccia.
História
Passa-se na Itália, em 2015 e começa com o fim imprevisível do namoro com o protagonista, Niccolo. Desde a morte do pai que tem de cuidar da família: a mãe mergulhou numa depressão profunda, uma das irmãs troca de namorado como quem troca de camisa e a outra, com um filho de três anos, reatou com um namorado intratável.
Um dia, por completo acaso, ele e o melhor amigo conhecem duas jovens americanas, de férias em Roma. E aí começa a tentativa de esquecer a namorada e encontrar uma nova luz ao fundo do túnel.
Opinião
Foi-me recomendado pela minha irmã e pelo título desconfiei que vinha um livro lamechas. Ela garantiu-me que não.
É uma história light para o Verão, mas não passa disso.
Não há mistério, não há suspense, não sentimos grande curiosidade em ler o capítulo seguinte, pois não há grande história. Tem muitas banalidades e narrativas das recordações dos momentos ue o protagonista passou com a namorada. Penso que havia espaço para melhorar muito mais a história, ter mais sumo e mais ação.
Pontos positivos:
- exaltação do carpe diem, não devemos ficar presos ao passado e viver o presente
- Conhecimento da Itália
Depois de conhecer as turistas, fazem uma viagem romântica para lhes dar a conhecer a Itália e permite ao leitor fazer também essa viagem.
- Leitura fresca
Não maça, nem é daqueles livros melosos. É uma história leve para os dias de Verão.
Pontos negativos:
- Muita parra e pouca uva
Enrola, enrola, conta histórias do passado da personagem sem qualquer relevância para a história (acho que é mesmo para ocupar páginas no livro).
- Não dá vontade de chegar ao fim
A história não tem muito por onde avançar, pelo menos por onde o autor desenvolveu. Não há qualquer carácter de imprevisibilidade. Nem sequer o motivo pelo qual a ex acabou com ele (já que o autor insiste tanto em massacrar o leitor com o passado, poderia ter explorado por aí ...).
Em suma, é um livro light, mas que não me deu vontade de ler mais sobre esse autor.
P.S.: Devo ser o primeiro autor dos blogs do Sapo a comentar este livro e no blogspot pela pesquisa do Google encontrei algumas opiniões quase todas brasileiras. O que também encontro é alguns posts com a sinopse e a biografia do autor e apenas isso. Claro que cada um posta e publicita o que muito bem entender no seu blog, mas não percebo qual a piada de se limitar a isso, sem dizer porque recomenda, ou não recomenda ou se sequer o leu.
Já quase toda a gente leu, mas só à dias é que me chegou por empréstimo. Ontem acabei de ler, por isso cá vão as minhas impressões.
O livro assemelha-se a um policial. Tem crime, suspense e vidas mundanas (confesso que gosto de histórias em que sinta alguma adesão ao "carne e osso" das personagens. Envolve três mulheres que mantiveram uma relação amorosa, mas numa encruzilhada de histórias, traições e problemas como o alcoolismo, a vergonha na assunção do falhanço pessoal e profissional e a dificuldade com a confrontação feminina com a maternidade (a esperada, a indesejada e a que tarda em ocorrer). Porém, a história não é nada lamechas, pois envolve a morte de uma dessas mulheres e toda a trama em descobrir o assassino e o que se passou na noite do crime.
O livro é de leitura ligeira e cativante. Pessoalmente, gostei bastante de o ler. Não conhecia a autora, Paula Hawkins, mas o suspense e escrita simples, levam-me a recomendá-lo.
Acabei ontem de ler este livro de Ken Follet.
A história decorre na Guerra Fria. A personagem principal é um cientista que trabalhou para o lançamento do foguetão Explorer I e que, pouco antes do lançamento do satélite, acorda numa casa-de-banho pública, com uma amnésia profunda. Não sabe nada sobre si e toda a história se desenrola na recuperação da identidade.
O espaço temporal da história são poucos dias e envolve enigmas e espionagem. Transporta-nos para o passado, tem mistério, mas uma realidade distante da portuguesa. Pessoalmente gostei do livro e da história, mas por vezes é confusa e não percebe bem de que "lado" cada personagem está.
Houve duas Marias que me chamaram a atenção: a Maria Leal e a Maria Helena.
Quanto à Maria Leal, o trend topic das redes sociais, não há muito a dizer. O vídeo fala por si...
A outra é a taróloga da SIC. Aquela senhora com ar de avozinha querida e simpática.
Uma ida às compr
as num feriado, implica ter mais tempo para reparar em pormenores.
Ora, reparei o top de vendas do Continente ontem tinha no 1º lugar o mais recente livro da Maria Helena. Trata-se de um livro do "Clube do livro" da SIC, que tem publicidade nos programas da estação de televisão e cujos autores são jornalistas ou colaboradores do canal.
Ora bem, e qual é o tema do livro?
Orações e rituais para proteger a vida e realizar os desejos dos milhares de seguidores de Maria Helena. Rituais de Luz reúne os rituais para encontrar a força e a energia do Universo para proteger e atrair a realização de muitos desejos: a sorte, a união familiar, o sucesso, a saúde, o amor e o dinheiro.
O livro para aprender os rituais, benzeduras, defumações e orações para atrair energias positivas para a vida e afastar para longe todo o tipo de energias negativas.
Dá-nos a conhecer o poder mágico das velas, ervas e plantas, incensos, cristais e amuletos usados desde tempos antigos.
Retirado da FNAC
Ora, se virmos bem, faz sentido estar no top do Continente. As pessoas que mais compram este tipo de literatura são precisamente o target-alvo do programa (donas de casa e reformados) e o sítio onde têm mais contacto com a literatura é o supermercado.
Se a lei o permitisse, o desconto em cartão seria a cereja no topo de bolo para a Maria Helena (não é permitido para os livros editados à menos de um ano fazer descontos superiores a 10%).
O terceiro livro que acabei de ler é um autor lusófono, Paulo Coelho.
O livro conta-nos uma história de uma jovem e aventureira rapariga brasileira que entrou no mundo da prostituição, mostrando as suas hesitações, ambições e sentimentos. De certa forma, desmitifica a imagem pejorativa que a sociedade tem e constrói em torno desta atividade. A história vai mais longe, trazendo erotismo e exploração do prazer sexual, do ponto de vista de uma prostituta.
O fim da história é o previsível: a personagem encontra o verdadeiro amor de um homem que não tem preconceitos pela sua atividade ou pelo passado e ficam "felizes para sempre".
O livro é de leitura fácil e a história avança rápida. É uma boa história, mas sem grande suspense.
O livro da autoria de John Green conta uma aventura entre dois adolescentes finalistas do ensino secundário.
Uma história de leitura rápida, interessante, com personagens secundárias engraçadas, mas achei-o americanizado, sem grande lição de vida e parecia que a escrita já estava orientada para o filme.
Quertin e Margon são vizinhos e partilharam a infância numa amizade que se foi desvanecendo com o tempo. Em vésperas do baile de finalistas, ambos participam numa vingança amorosa planeada por Magron que executam numa noite, que será a última que estão juntos. No dia seguinte Margon desaparece misteriosamente e deixa pistas a Quervin do seu paradeiro, desenvolvendo-se grande parte da narrativa na resolução do enigma. A derradeira estabelece um limite de horas e uma localização precisa de onde Margon se escondeu do mundo. Quervin tem de atravessar grande parte do EUA para chegar ao local e leva consigo os seus amigos. A sua motivação é um amor platónico, uma profunda amizade e uma excitação de aventura.
É esta parte que me parece idealizada já a pensar no filme. O autor divide o livro com cada uma das horas de viagem a encher páginas e a aumentar o suspense. Até aparecem duas vacas na estrada que provocam um acidente (tão previsível!), mas ninguém fica ferido, apenas se atrasam. Porém, como esperado, Quervin chega antes do tempo e encontra a sua amiga, mas não ficam "apaixonados e felizes para sempre".
O que fica da história? A amizade quando existe de verdade, é cega. Ultrapassa montanhas e chegam ao infinito, mesmo a cidades de papel, i.e., cidades que não existem fisicamente, mas apenas baptizados nos mapas patenteados de modo a detetar pirataria. Além disso, todos nós temos uma imagem que defendemos e somos educados a cumprir certos protocolos. Porém, há alternativas. Podemos seguir o nosso próprio caminho, com toda a liberdade, mas arcando com as consequências.
Para dizer que achei o livro realista e com conteúdo, não achei. Achei sim uma ficção interessante e enigmática.
Como sabem resolvi retomar o hábito da leitura. Uma das sugestões que foi dada foi o "Navegador Solitário" de João Aguiar.
Confesso que não conhecia o autor, nem fiz batotice de ler os resumos nem as opiniões de outros bloggers. Queria matar aquela saudade de ler um livro até ao fim e descobrir o final! Não me arrependi. Dei por muito bem empregue o meu tempo.
O livro retrata o percurso de vida de um jovem miúdo entre a adolescência e o início da fase adulta sob a forma de um diário. Um diário forçado por uma esotérica imposição do falecido avó Aquilino). Os capítulos têm nomes de marcos importantes na história portuguesa que fazem o paralelismo com o percurso de vida do protagonista, Solitão Fernandes.
O início é uma comédia, onde se preserva os erros de escrita e a inocência de um rapaz de 16 anos. À medida que o tempo e o diário vão avançado, a escrita vai refinando, tal como o interesse na história vai aumentando. Neste percurso de vida deste jovem dos anos 80/90, aborda-se temas tão atuais (em 2016) como: a prostituição infantil, a dependência das drogas, a emigração, a promiscuidade entre futebol e política, a promiscuidade entre sociedade de advogados e a ascensão nos partidos, os casamentos de conveniência, o abandono escolar para ajudar no negócio dos pais e a encarnação tão real da expressão: "Não há almoços grátis". A ambição deste jovem levou-o a pagar a um preço elevado ao ponto de ser pago por serviços sexuais ao seu patrão, que é também o seu futuro sogro.
O desfecho do livro surpreendeu-me. A personagem tinha tudo para alcançar o que sempre desejou, ou o que o seu exotérico avó queria para ele: um emprego garantido e prestigiado, uma carreira política bem encaminhada, um sogro rico, poderoso e que fazia tudo por ele, uma mulher abastada e que não fosse ciumenta. Porém, percebeu que tudo tinha um preço: a felicidade efémera, os favores sexuais que o sogro lhe exigia e a distância da família. Prescindiu dessa categoria "de sonho" e procurou a sua dignidade junto dos seus.
Recomendo o livro. De fácil leitura e surpreendente.