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Desafio de ser professor

08.10.19

escolaa.jpg

 

Quem ouviu e quem ouve a situação dos professores fica admirado com a mudança de paradigma.

 

Nos anos 2000 quando andava na escola, um dos grandes desafios dos professores era a colocação. Muitos desempregados. Uns porque não tinham escola, outros eram colocados muito longe de casa, tendo que pagar para trabalhar. Quantos desistiram do seu sonho? O sonho de ensinar?

 

Hoje lê-se que a classe está envelhecida. Pudera ... Aos olhos da sociedade, os sindicatos apenas reclamam direitos e mais direitos, não se focando naquilo que os pais, alunos e os próprios professores sentem dificuldades. 

 

Já o disse e repito. Nunca equacionei optar pela via do ensino e as razões são várias:

-  agressões contra docentes de alunos e pais

-  faltas de respeito na relação com os alunos,

[diariamente há relatos e queixas, fora o que não se sabe]

- luta hercúlea contra os telemóveis

- nas escolas os programas continuam desajustados à carga letiva,

- o bullying de alunos sem educação em casa contra colegas e docentes,

- um sindicato que apenas reclama direitos e não olha para mais nada,

- o risco de colocações longínquas e ser passado por "cunhas"

- objetivos de carreira: quais são?

 

Quando só há um empregador, é muito mais complicado. Ser professor é algo que não considero e como eu muitos jovens.

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publicado às 20:42


32 comentários

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De Sarin a 08.10.2019 às 20:57

Não há apenas um empregador - as escolas privadas contratam quem querem.

E os sindicatos exigem direitos, sim - as condições de trabalho são direitos.

Que eu não concorde com a forma como o sindicalismo está estruturado, é outro assunto. Tal como é outro assunto eu não gostar dos feudos que muitos professores efectivos criam e ajudam a manter, nas escolas públicas como nas privadas.
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De O ultimo fecha a porta a 09.10.2019 às 22:27

O problemas dos sindicatos é que nunca falam das condições de segurança. Há professores agredidos e os sindicatos nunca falam. Eu já testei isso uma vez na fenprof. Não falam dos problemas reais e isso é um problema e grande! Só se fala de carreiras, mas das colocações longínquas ng fala. Consegue-se imaginar o drama que é para um professor jovem?

O peso das escolas privadas ainda é reduzido.
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De Sarin a 09.10.2019 às 22:43

Sei o que é esse drama. Vivi-o. Vi-o ser vivido.

Um dos problemas das colocações passa pela autonomia das escolas - por isso surgiram os QZP, quadros de zona pedagógica, para tentar colmatar tal falha.
E quando os sindicatos pedem redução dos horários e do número de alunos estão a pensar no bem-estar dos professores (profissão de desgaste rápido) e no reforço dos quadros - turmas mais pequenas e menos horas lectivas para os professores traduz-se num aumento de turmas e de horários, portanto de mais professores
Mas as pessoas mal ouvem "menos horas e menos alunos" pensam "pois, uns finórios, querem é dinheiro e descanso". Porque uma das formas de evitar as grandes deslocações é, exactamente, criar vagas perto e por muito tempo.

Os aumentos saem muito mais baratos ao Orçamento de Estado. Por isso os Governos irem por essa via. Porque não é a única apresentada. Mas é a única que colhe resultados.
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De O ultimo fecha a porta a 09.10.2019 às 22:50

levanto outra questão: haverá profissionais para esse reforço de quadros. cada vez menos. em matemática por exemplo, as empresas estão cada vez mais a recrutar pessoas dessa área.
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De Sarin a 09.10.2019 às 22:56

Por isso mesmo as mudanças estruturais serem urgentes - porque devem ser faseadas.
Se não tem saída profissional não tem muita procura. Claro que também há que reavaliar metodologias de acesso e avaliação - um professor tem que perceber a matéria que lecciona mas, acima de tudo, tem que estar apto a ensinar a matéria e a despertar os alunos para a aprendizagem da mesma. E todos estes passos devem ser simultâneos.

Mas é mais fácil dar aumentos.
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De cheia a 08.10.2019 às 21:15

Uma profissão, em que a seleção deveria ser muito mais exigente! Ser professor não pode ser o que aconteceu a seguir ao 25 de Abril, quem não tinha outra colocação ia para professor. Os professores têm de ser mais respeitados, ter melhores ordenados.
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De O ultimo fecha a porta a 09.10.2019 às 22:10

é preciso gostar como em qq profissão. hoje em dia, não cativa nada a profissão não pela tarefa em si, mas pelas condições dadas aos docentes (e não falo de remunerações)
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De Sofia a 08.10.2019 às 21:54

"Aos olhos da sociedade, os sindicatos apenas reclamam direitos e mais direitos, não se focando naquilo que os pais, alunos e os próprios professores sentem dificuldades."
É uma realidade.
A maioria dos sindicatos nos vários sectores, só se preocupam com o "posto".
Na maioria das vezes só prejudicam os trabalhos sindicalizados...
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De O ultimo fecha a porta a 09.10.2019 às 22:07

o posto e as quotas. é uma pena pq o objetivo dos sindicatos é nobre.
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De Sofia a 09.10.2019 às 22:11

É só nobre para eles! Andas desaparecido.
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De O ultimo fecha a porta a 09.10.2019 às 22:21

defender os trabalhadores é nobre! Unidos têm mais peso. O problema são os compadrios e a depedência que geraram.

Mas ainda estes dias li uma opinião de que os salários numa empresa deveriam ser públicos. Aumentaria a transparência e acabar-se-iam as desigualdades. O silêncio beneficia os empregadores que fazem o que querem.
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De Sofia a 09.10.2019 às 22:25

É nobre, quando a verdadeira razão é nobre! Não te iludas. Não, respondes-te ao email.😅
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De Sofia a 09.10.2019 às 22:32

Que te enviei!
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De Cláudia a 09.10.2019 às 09:01

Na altura de eu tirar o curso, o meu avô disse para eu ser professora e eu também nunca quis.
Não só pelos exemplos que deste, mas tenho uma mãe que foi professora e saiu em boa altura!

Beijocas
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De Robinson Kanes a 09.10.2019 às 12:31

Os professores, uma grande maioria, continua a ser uma das classes mais favorecidas em Portugal, é inegável e muitos não colocam a cabeça na areia e concordam... Alguns até fazem questão que assim seja...

Quem quiser ser um professor do séculoXXI, contudo, tem muitas dificuldades para o ser... Sobretudo quando as regras continuam a ser ditadas por quem nunca ensinou e tem outros objectivos que não o "empowerment" dos alunos. Sindicatos de professores? Entropia!
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De O ultimo fecha a porta a 09.10.2019 às 21:57

"Muitos"? Acho que são poucos e não tarda vêm os "anónimos" cá comentar e criticar :)
Mas concordo com o escreves :)
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De Robinson Kanes a 10.10.2019 às 09:19

Retirar o "não" de "não colocam a cabeça na areia".
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De amarquesademarvila a 09.10.2019 às 12:57

Há uns tempos li, e não podia concordar mais, que as escolas públicas deveriam ter o direito de contratarem quem querem. Só assim que consegue boas escolas, bom ensino e bons professores.
Noto, e tenho as duas experiências, as minhas filhas já frequentaram tanto o privado como o público (onde estão agora), que uma grande parte dos professores do ensino público se está a borrifar para aquilo (não são todos!). A minha filha mais nova tem uma professora que diz em plena aula: "Detesto ensinar! Odeio ser professora! Estou aqui porque preciso!", conseguirá algum dia esta pessoa ser uma boa professora?
A mais velha anda numa escola, pública, que contrata directamente. É uma escola artística, não está sujeita ao ensino regular nem às mesmas regras. Não tem nada a ver!... a diferença é abismal! Bons professores, pouco insucesso escolar, excelente aprendizagem... assim deveriam ser todas!
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De O ultimo fecha a porta a 09.10.2019 às 21:53

Estou chocado com essa professora que diz isso. é o egoísmo no seu estado mais puro. não é feliz e empata o futuro dos outros, desmotivando todos até a si própria.
Já todos apanhamos professores bons e prof. maus. Penso que essa liberdade criaria uma escola de elite e aconteceria o mesmo que no estado novo: uma escola industrial (para pobres e maus alunos) e o liceu (para os ricos e melhores alunos), mesmo ambas sendo gratuitas.
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De amarquesademarvila a 09.10.2019 às 22:14

Por acaso acho que seria uma boa forma de acabar com as escolas elitistas, que as há e públicas!... todas as escolas públicas poderiam recrutar os melhores professores para os seu alunos e não sujeitarem-se ao que lhes calha. Porque neste sistema há escolas, como existem algumas em Lisboa, que são elitistas pois todos os professores são efectivos. Este não é um bom ensino, só serve professores sem vocação e que querem um emprego... não servem os alunos nem o ensino. É um sistema utilizado em países nórdicos que têm uma escola de excelência e ontem bem existem escolas privadas.
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De O ultimo fecha a porta a 09.10.2019 às 22:18

Tem prós e contras. Acho que traria alguma discriminação. Nalgumas escolas do interior colocaria uma viciação. Os professores que ganham peteira com os alunos, reprovariam-nos sempre. Mas claro que traria as vantagens que dizes.
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De amarquesademarvila a 09.10.2019 às 23:14

Todos os sistemas têm prós e contras, sem dúvida. Até agora este é o que me parece melhor. O sistema de colocações é injusto para todos e não é, de todo, o melhor para o ensino e para a escola de excelência.
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De omeumaiorsonho a 09.10.2019 às 14:41

Completamente de acordo com tudo o que aqui escreveste!
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De Maria Araújo a 09.10.2019 às 16:25

Já foi tempo em que havia professores que (ab)usavam do estatuto de professor.
Hoje, a sociedade é mais exigente, passou-se do oitenta para o oito, há muita agressividade na escola, sobretudo dos educadores/ pais, para os professores.
Inverteram-se os papeis.
Concordo com o Robinson, em parte, os professores são ( relativamente bem remunerados), e digo relativamente porque foram muito penalizados aquando dos cortes salariais, mas todos foram.
As escolas precisam de mudança. Os sindicatos mal sabem dos programas, pouco fazem pelos professores ( há sindicatos a mais), o que fazem serve apenas para manterem os cargos.
As minhas amigas professoras, todas com idade acima dos 50, sentem-se desgastadas, acabadas, e o trabalho é cada vez mais intenso, fora o que trazem para casa.
Os nossos jantares, que servem para esquecer a semana da escola, nunca são o que queremos, isto é, por mais que se diga que não se fala de escola, a conversa segue este rumo.
Nem todos entendem isto.



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De O ultimo fecha a porta a 09.10.2019 às 21:44

A Maria certamente tem outra visão da evolução. As queixas dos professores parecem um pouco desajustadas daquilo que a minha geração procura num desafio como o de ensinar. Eu por exemplo valorizo muito a segurança física e o reconhecimento. Nas escolas os professores não são reconhecidos, nem pelos alunos nem pelos pais. deve ser cada vez mais frustrante, com exceção daqueles que ensinam em boas escolas públicas e estão em topo de carreira.
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De Andreia Morais a 09.10.2019 às 20:10

Sempre quis ser Educadora de Infância e, felizmente, foi esse curso que consegui tirar. Apesar de todas as condicionantes e de todos os riscos associados à profissão, acho que o nosso objetivo maior tem que superar. Porque podemos fazer a diferença na vida das crianças/alunos que se cruzem no nosso caminho.
Não será fácil. E, nos dias que correm, o cenário parece ainda pior, mas não podemos cruzar os braços
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De Milord a 10.10.2019 às 13:36

Bem, antes de mais deixe-me dizer-lhe meu querido que tive que visitar este blog simplesmente para lhe dizer que Milord jamais seria o último e ainda jamais fecharia a porta! Milord está habituado a que lhe abram a porta, permitam a sua passagem com uma vénia e depois que a fechem.

Agora fora de brincadeiras, quando era pequeno queria muito ser professor mas a vida não o permitiu. Hoje não sei se lamento, pois penso que não teria muita paciência para esta nova geração de crianças um pouco digamos... mal educadas? Sem respeito pelo próximo? Habituadas a ter tudo o que querem? Não sei, mas acho que nunca conseguiria exercer a minha profissão correctamente.
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De O ultimo fecha a porta a 10.10.2019 às 22:18

Bemvindo então Milord :)

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