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Desistência da profissão

27.12.19

Ontem veio a público o salário que um banco privado pagava à esposa do seu presidente apesar de ela não fazer nada de produtivo da empresa. Inicialmente era mentira, agora já é verdade mas descontado do salário do marido. Quando não se é claro é porque há algo a esconder? 

 

Não é caso único, bem como as mesadas dadas a filhos fazendo parte da folha salarial (e tributadas).

 

Vou abordar a questão de um lado mais humano, o lado das pessoas (99,9% mulheres) que desistem de uma vida profissional, mas que não auferem remuneração. Fala das mulheres domésticas. Algo promovido pelo Estado Novo e que ainda existe muito na sociedade portuguesa. Tem tendido a diminuir fruto da emancipação da mulher no pós 25 de Abril.  Hoje em dia, ainda existe por ex. no caso das esposas de jogadores de futebol que também andam de um lado para o outro.

 

A maioria destas mulheres vivem na dependência dos maridos. Dependência económica e emocional. Cuidam da casa e dos filhos, sendo o seu trabalho não remunerado nem sequer valorizado. Uns casos é opção e acomodação. Outros fruto da cultura portuguesa. Acho que a maioria mais cedo ou mais tarde se arrependem sobretudo depois dos filhos saírem de casa.

 

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publicado às 09:04


16 comentários

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De Isa Nascimento a 27.12.2019 às 09:46

Excelente reflexão a propósito de uma salário a troco de nada...
Eu admiro as mulheres que abdicam de si e da sua carreira para se dedicarem à família, especialmente por muitas vezes serem consideradas "preguiçosas" porque não querem trabalhar... Uma mãe "dona de casa" trabalha que se farta (não será o caso da esposa do tal banqueiro...). Às vezes sem qualquer reconhecimento ou gratidão por parte da sua própria família. Tenho uma prima nesta situação. Sabe perfeitamente que, quando os filhos saírem de casa, terá de arranjar uma atividade para si, mas entretanto considera que a família tem mais a ganhar com a sua presença em casa do que com o seu (reduzido) ordenado ganho fora de casa. Não ganha, mas poupa muito noutras despesas...
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De O ultimo fecha a porta a 01.01.2020 às 18:51

Sem dúvida, muitas vezes falta essa perspetiva.
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De Luísa de Sousa a 27.12.2019 às 10:02

São opções/deveres/exigências de algumas mulheres.
Eu sempre valorizei a minha independência económica, apesar de ter de conviver diariamente com o stress de ter uma profissão, ser mãe e dona de casa!!!

Beijinhos
Feliz Dia
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De Lady a 27.12.2019 às 10:18

Não é fácil abdicar de uma vida profissional em prol da família e como dizes, mais tarde com o "ninho vazio" a vida fica um pouco sem sentido :S.
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De MJP a 27.12.2019 às 10:34

Excelente reflexão!
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De Cláudia a 27.12.2019 às 10:51

Excelente reflexão, mas eu só penso mesmo é na falcatrua em si...

Beijocas
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De gatodeloiça a 27.12.2019 às 10:51

Bem, eu não era capaz! Tendo em conta o meu feitio estar em casa de volta de tachos e panelas, roupa e afins. Já me dá stress quando tenho que fazer no pouco tempo que me sobra, quanto mais dias a fio. Até porque os miúdos também vão para a escola, e por mais que goste da minha família, é bom cada um ter as suas atividades individuais. Para além disso, era só o que me faltava ser dependente de um homem, quer a nível econômico quer emocional. Mas isso sou eu. Cada um escolhe as suas opções.
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De O ultimo fecha a porta a 01.01.2020 às 18:50

é verdade. No antigamente era o "normal", hoje em dia cada vez menos. Depois temos estes casos que não são "normais".
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De Radio TugaNet a 27.12.2019 às 10:54

Acho que depende muito de cada caso. Há mulheres que não querem trabalhar, outras não podem e outras há que abdicam duma vida profissional remunerada para cuidar do marido e dos filhos. Claro que depois dos filhos criados elas veem que o tempo passou e não fizeram nada de produtivo mas nunca é tarde para começar e seguir o seu sonho.
Essa coisas dos "tachos" para familiares é sempre duvidosa...
Abraço

A equipa da Rádio TugaNet
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De O ultimo fecha a porta a 28.12.2019 às 15:07

Há muitas situações, mas auferir os valores em causa em funções não produtivas parece pouco ético.
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De Andy Bloig a 27.12.2019 às 19:43

Já te explico a parte que os meios de comunicação social ainda não entenderam, sobre o vencimento da esposa do presidente do CA, que justifica as explicações.

Acerca das esposas dos futebolistas, a grande maioria, desconta nos países onde os maridos estão a operar... é que, os jogadores recebem o ordenado e recebem aquele coisinha (que deu tanta bronca com alguns) que são os direitos de imagem. Nesta segunda parte, são empresários em nome individual. Normalmente, a esposa e até filhos ou outros familiares, são dados como trabalhadores deles. Acabam por validar saídas de dinheiro e servirem para abater nos impostos que os futebolistas tem de pagar. Ao mesmo tempo, permitem a existência de uma futura pensão.

Acerca da senhora e do "apoio emocional", existe outra coisa que justifica aquela opção: é que, segundo diz um jornal, a senhora realizou uma operação cirúrgica que exige seguimento muito específico. Ora no SNS seria demorada, no sistema privado seria muitíssimo cara... lembras-te de como fizeste com o sinal que querias remover da pele? É, exactamente, a mesma coisa. O banco pagou o seguro de saúde (e não foi o básico ou geral), ela usou-o para fazer o que precisava, o BdP perguntou sobre aquela decisão dos accionistas, deixaram de lhe pagar mas, já estava tratado o objectivo.
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De O ultimo fecha a porta a 28.12.2019 às 13:46

Já tinha sobre essas "empresas" para fugir ao IRS. Penso que são os próprios consultores que assessoram o M. Finanças a propor essa "evasão". :) Porém, só mesmo uma minoria estará nesse nível, eventualmente os que jogam a Liga dos Campeões. Referia-me mais aos restantes jogadores que não têm esses direitos de imagem.


Não tinha ouvido essa história do seguro de saúde, mas ontem ouvi que o observador fez uma investigação segundo a qual efetivamente o salário da esposa saía do processamento do diretor, mas este aumentou precisamente a sua remuneração nesse valor para acomodar o salário da sua esposa. Tudo isto com o "amén" dos seus pares e reguladores do banco.
Essa desculpa do seguro de saúde que me contas é ... "estranha", porque os seguros mais comuns permitem estender as coberturas ao conjugue e filhos por mais 20 ou 30 euros/mês.
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De Andy Bloig a 28.12.2019 às 15:00

Por causa disso referi empresário em nome individual. Qualquer jogador profissional recebe direitos de imagem. Um jogador da primeira divisão tem entre 20 a 50% do rendimento indexado a isso. Recebem por recibo verde ou por direitos intelectuais (ou por factura/recibo, caso criem empresa). É a forma dos clubes poderem vender publicidade, camisolas e equipamentos com o nome do atleta. Como disseste, é uma forma de escapar ao IRS. É que separando os rendimentos, permite reduzir as taxas anuais e permite apresentar despesas que, de outra forma, não serviam para reduzir o valor a pagar (como é pagarem ordenado à esposa ou a familiares ou registarem a aquisição de automóveis ou doações a instituições de carácter social). Os grandes nomes, usam empresas, tanto para fugir como para separar os rendimentos e evitar declarar tudo junto (foi por usarem as offshores que isto chegou à comunicação social).

Estás a pensar nas coberturas simples/gerais. Um dirigente daqueles nunca tem abaixo do premium estendido. Cerca de 600 a 1000 euros mensais que permitem usar tudo o que é serviço privado da empresa de seguros e de outras ligadas a eles, tanto em Portugal como fora do país. Nesses casos a anexação do cônjuge, na maioria das coberturas, não é possível.
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De omeumaiorsonho a 27.12.2019 às 20:05

Quando os filhos saírem de casa acredito que irá ficar um vazio e uma sensação de "uma vida perdida lá fora".
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De O ultimo fecha a porta a 28.12.2019 às 14:59

Acho que acaba por acontecer isso a muitas mulheres que tomam essa decisão. E o pior acaba por ser a dependência económico dos maridos.
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De HD a 27.12.2019 às 21:00

Típico da cultura portuguesa, como referiste... -.-

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