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Leituras do Último: A queda dum anjo

23.07.19

Pela primeira vez li uma obra de Camilo Castelo Branco: A queda dum anjo.

IMG_20190629_105505.jpg

 

Quando comecei a ler a obra, chamou-me a atenção o vocabulário de Camilo. Muitas das palavras já não se usam hoje em dia o que constitui um desafio, embora se vá percebendo perfeitamente o significado da frase.

 

A personagem principal é um deputado que troca Trás os Montes pelo Parlamento em Lisboa. Estamos a falar do final do século XIX, altura de Camilo.

 

O "anjo" caracteriza-se por ser um acérrimo defensor da moral e bons costumes. Muita retórica, muito blá blá inútil e conservador, como os saudosistas e guardadores da moral e bom costumes gostam.  Vai subindo na vida e nas cortes políticas, arranjando uma amante. Uma brasileira, avantajada, o oposto da sua mulher provinciana e campónia. O dilema da personagem coloca-se na sua imagem política e no dinheiro da sua esposa de casamento. Para viver, o "anjo"  preciso do sustento da mulher que o envergonharia em Lisboa. A piada do livro é perceber como será a queda do anjo. Camilo fugiu ao cliché das novelas e foi pela via mais ética. O deputado prescindiu e deu o divórcio à mulher traída e ambos seguiram o seu caminho sem ficarem presos ao passado e a vinganças.

 

Sobre a escrita de Camilo constatei que revela tal e qual a mentalidade portuguesa: ineficiência.

Páginas e páginas "à volta". A acção não avança. 150 páginas a engonhar, para depois nas 100 finais a história ganhar emoção e ter o seu interesse. O português é assim: deixa tudo para a última. É na seleção, é no trabalho, é na pagamento de impostos. Até nas literatura...

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publicado às 18:15


31 comentários

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De C.C. a 23.07.2019 às 23:45

Gostei da piada, deixar tudo para a última!
Afinal já os escritores antigos tinham isso em conta...
Abraço.
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De O ultimo fecha a porta a 27.07.2019 às 16:45

Já vem de longe eheheh pelo menos nesta obra de camilo.
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De Pedro Coimbra a 24.07.2019 às 03:54

Nunca é tarde para ler Camilo Castelo Branco.
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De Maria Araújo a 25.07.2019 às 23:02

Li o Anjo, li e fiz o levantamento da obra ( obrigatória) a Bruxa de Monte Córdova, na universidade.
Tenho várias obras dele, hei-de voltar a elas, algumas esquecidas, como o caso de O Anjo
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De O ultimo fecha a porta a 28.07.2019 às 12:06

Ontem escrevi num comentário que quando lemos as obras por nossa iniciativa em vez de ser "obrigatório" tem sempre outro significado. Deixamos de estar atentos aos pormenores (figuras de estilo por ex.) e deixamo-nos levar pela estória :)
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De The Travellight World a 25.07.2019 às 23:59

É bem verdade... mas, antes tarde que nunca, não é?
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De O ultimo fecha a porta a 28.07.2019 às 12:14

é mesmo. vamos sempre a tempo de ler autores portugueses :)
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De José da Xã a 26.07.2019 às 21:22

Companheiro,

Não estou nada de acordo. Camilo tinha um espirito muito romântico. E naquela época escrevia-se assim.
Depois veio Eça que em dez páginas descreveu uma sala.
São estilos de escrita.
Bom fds.
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De O ultimo fecha a porta a 28.07.2019 às 12:17

Claro, mas nesta obra fiquei com essa imagem e gosto de escrita mais prática. Noutras obras pode não haver tanto engonho, mas nesta houve. É à tuga.
Mas olha que a A Relíquia de Eça no aspeto do engonho é melhor não falarmos do calvário que é ler o terceiro capítulo!
Já o conde de abranhos não senti isso.
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De Zélia Marisa Reis Coelho a 07.08.2019 às 14:21

A sério??? Nunca leu o "Amor de Perdição" ? era o livro preferido da juventude do meu pai e eu assim que pude comprei, para além desse li ainda o "Estrelas Propícias", "Folhas Caídas", etc.

Quanto ao "engonhar" tal e qual o Eça Queirós nos "Maias", o Júlio Dinis na "Morgadinha dos Canaviais" ou o Almeida Garrett nas "Viagens na minha terra" em que só no X capítulo começava a acção.
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De O ultimo fecha a porta a 11.08.2019 às 18:31

nunca li, mas vai-se sempre a tempo :)
Estou a ver que é um defeito geral. Reflete a nossa cultura. No futebol é a mesma coisa. :)

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