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Seca e o abate de pinheiros na mata de Maceda

05.02.22

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Este mês de Janeiro foi surpreendentemente quente. Já no ano Novo andávamos de manga curta, com muita gente a tomar o primeiro banho do ano porque o tempo assim o convidava.

E essa surpresa é uma má surpresa. 

Primeiro porque não respeita a ordem natural do clima, segundo porque está a colocar o país numa situação de seca com imagens atípicas das nossas barragens secas, terceiro porque são já várias disfunções climáticas num espaço muito curto de tempo e quarto porque são os reflexos do aquecimento global (fenómenos extremos climáticos com tendência para ficar mais quente). 

Ao longo do tempo está-se a confirmar.

Da parte política, a resposta que nos prometem é encarecer o preço da água. Será que vai reduzir o desperdício? Será que quando uma conduta rebenta e se liga para os serviços municipais estes irão ser mais rápidos na resposta e na reparação? Como sempre, vai afetar os mais pobres e as regiões mais desertificadas.

 

Por outro lado, estamos a assistir em Ovar a um abate massivo de pinheiros na mata de Maceda. Ainda não percebi o argumento, mas a CM Ovar desresponsabiliza-se. Se Salvador Malheiro tivesse tanta vontade em defender o ambiente como está nas tricas do PSD, talvez já se teria acabado com essa aberração.

Honestamente parece que às vezes em vez de se andar para um país mais verde, tomam-se decisões avulsas e há sempre alguém que ganha com estes atentados. Leio que vai ser para construir um campo de ténis, quando há um enorme complexo às moscas no concelho vizinho de Espinho.

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publicado às 11:49


26 comentários

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De Andy Bloig a 07.02.2022 às 14:19

A seca... ainda nem chega ao top 40 das piores, desde que há registos (1932). Nos anos 40 chegaram a ter 33 meses, com menos de 1 m3 de chuva no país. Foram anos que se construíram muitos poços e a maioria das grandes captações de água no centro do país. Para sul, o maior problema foi a mudança de culturas. Sem ser na bacia do Tejo e na do Guadiana, ninguém plantava produtos que precisassem de água dentro dos 9 meses a seguir ao inicio da Primavera. Agora, até melões e melancias se plantam junto a Beja...
E ainda nem a 80% estamos do que se passou entre 1992 e 1996. Em que choveu menos de 10% do que era necessário, abaixo da linha de Aveiro-Guarda. Nessa altura muitas zonas ficaram sem água durante 2 anos, sendo abastecidos por carros de bombeiros, alguns que iam abastecer a Espanha. A maior diferença é que não existiam 6730 associações de agricultores a exigir 90000 milhões de euros doados para ajudar quem produz... curiosidade: na região da Guarda, existiam 2 associações de agricultores e de pecuárias, nos anos 90, ajudavam a construir depósitos de betão e ajudavam a negociar a compra de depósitos plásticos, para armazenar água para rega e para os animais. Foram destruídas, pela CAP, pois não cumpriam os requisitos para obterem fundos europeus... pois não pagavam os 6700 contos que a CAP exigia anualmente como "quota de trabalho". Os que vieram a seguir, nunca fizeram nada. Alguns depósitos ainda lá estão ao abandono. O mesmo se passa na região de Pedrogão-Figueiró-Castanheira de Pêra-Lousã, em que as ribeiras chegam a ser usadas para diversão (como pesca à truta) e para o verão, sendo que alguns grupos privados usam as águas para rega, processando as pessoas que retiram água para os canais de rega, sem pagarem a essas empresas...

Os abates depende de qual seja o uso que vão dar aqueles espaços. Já vi as 2 formas: abate para plantar ordenadamente e abate que dá lugar a super urbanizações, luxo, a coberto da primeira ideia. Aí parece que o ICNF queria organizar novas plantações e as autarquias querem urbanizar a maioria dos espaços, provavelmente por já terem interessados e assim que os terrenos estejam livres, o PDM é alterado em 5 minutos e as construções começam 48 horas depois da publicação da alteração e dos processos de urbanização já estarem aprovados.
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De O ultimo fecha a porta a 07.02.2022 às 18:25

Sobre a seca, é um dilema sobre até que ponto não estamos a desvalorizar o seu efeito apenas por ficar atrás nas estatísticas. No caso que referes, nesses 33 meses entram pelo menos 3 Invernos. Porém não é normal no Inverno acontecer. Será que é uma exceção ou uma exceção que se vai tornar tão recorrente que deixa de ser exceção.
Vejo alguns negacionistas a recorrerem a essas estatísticas e a acharem que está tudo bem quando não está.
No caso do abate, dizem que irá haver uma reflorestação natural, sendo uma parte para o tal complexo de ténis. Seja como for, não faz sentido abater este pulmão verde e que protege a nossa costa.
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De Andy Bloig a 07.02.2022 às 19:11

São ciclos. Há 3 anos atrás, estavam temperaturas negativas, mesmo de dia, aqui em Lisboa. Depois choveu forte e feio durante 2 a 3 semanas.
Ali para 2014, o Natal foi com temperaturas de 24-25 graus. O verão seguinte foi desgraçada, principal no sul do país, com tornados e trombas de água, em Agosto e Setembro. Não se pode resumir a 3-4 anos... é a mesma coisa que dizer que "desde 1900 é a primeira vez que acontece" mas, lendo jornais antes disso, afinal já tinha acontecido e até depois também aconteceu perto de onde aquela chuvada ou tornado aconteceu.
Com os sistemas actuais e culturas super intensivas, que precisam de caudais de água gigantes, estes anos são muito complicados. São empresas que precisam de 600 toneladas de produtos, por semana, sem terem acesso a água gratuita ou preços muito baixos, não conseguem sobreviver, muito menos mudar as culturas.
Dentro das janelas temporais, até estamos atrasados numa das eras... supostamente seriam uns séculos com temperaturas bem acima do normal, no seguimento da última era glaciar. É neste ponto que há opiniões em todas as direcções... que estamos a acelerar esse avanço ou não. Na altura da Expo 98, disseram que a água iria subir 3 metros "antes de 2020". De facto subiu... 2 a 5 centímetros. Foi aí que os acordos de Kyoto e Paris se afundaram...

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