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Dress Code

13.07.19

gravata.PNG

Alguns bancos estão a abolir o uso da gravata no seus profissionais, para já apenas à 6ª feira.

 

Quando trabalhei em auditoria, o uso de fato e gravata era (e continua a ser) obrigatório. Põe-se a imagem e formalismo à frente da prática.

 

Ter de usar fato e gravata e todos os dias além de ser desconfortável, no Verão é um terror. Com o calor, ter de usar o botão da camisa apertado e ter de andar com o casaco sempre atrás e sapatos fechados não é boa opção.

Também a carteira fica leve. Um fato nunca custa menos de 100 euros. Se a isso somarmos a gravata, os sapatos e a camisa, fica muito dispendioso.

Para o ambiente, também é mau porque no Verão é preciso aumentar o uso do ar condicionado. Não faz sentido!

 

Assim, sou totalmente a favor da abolição da gravata, seja no Verão, seja no Inverno. Deverá ser facultativo. Se quiserem manter o business casual já mais conforto e margem às pessoas.

Não é a gravata nem o colarinho branco que vão dar mais competência às pessoas.

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publicado às 12:10

Conversas de ginásio

19.06.19

No ginásio, um senhor queixava-se que estava difícil arranjar subempreiteiros nas obras.

Dizia ele que há pouca oferta no mercado de trabalho. É difícil arranjar pessoas para trabalhar na construção. Os poucos que há, aparecem um ou dois dias, abandonando para outra onde o cliente paga mais.

 

Pensei para mim: se pagassem mais que o salário mínimo (quando pagam e declaram às Finanças e Segurança Social), talvez houvesse mais interessados...

É fácil queixar da falta de mão de obra para um trabalho tão físico, mas quando se fala em salários, ninguém houve os construtores. Isto quando sabemos que muitas das grandes construtoras faliram na crise depois de anos de muito esbanjamento em Ferraris, Porsches e lagostas nas melhores marisqueiras.

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publicado às 23:12

#Kudos no LinkedIn

07.06.19

O LinkedIn continua a inventar.

Depois de ativar as notificações de aniversário que já critiquei aqui, agora é possível dar kudos a outros usuários.

kudos.PNG

Já vi pessoas a darem esses elogios a amigos pessoais dentro da mesma empresa, mas que não trabalham entre si.

Também já vi usuários a darem "kudos" à chefia indireta.

 

Já estava a ver que isso ia acontecer: Misturar relações pessoais com profissionais e engraxar colegas que estão acima desvirtua o conceito.

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publicado às 18:02

Millennials

09.04.19

mito.PNG

 

 

Hoje em dia, usa-se uma expressão para designar a geração entre os 20 e os 35 anos, que é "Millennials". 

Muito se fala sobre ela, mas penso que é uma faixa etária demasiado grande para estar numa categoria, se é que faz sentido uma "categoria"

Existem caracteristicas em comum nesta faixa etária: o online, as ferramentas informáticas, a mudança e a desmaterialização da vida. 

 

Mas existe uma diferença entre a geração que está a sair agora da Universidade e a geração que já está a trabalhar há alguns anitos: a exposição à crise de 2010-2014.

 

Daquilo que vejo na minha empresa e noutras, existe uma diferença grande na atitude  entre os que começaram a trabalhar antes e depois de 2015, além das personalidades das pessoas.

 

Lembrei-me disto porque vi que a capa da Exame fala sobre os Millennials generalizados e não me parece uma abordagem muito coerente. A revista até fala de "mitos". Nem sei que idade tem o jornalista que usou uma expressão tão forte, mas estamos a falar de pessoas, muitas pessoas e não seres extraterrestres. 

 

De qualquer das formas, quero ler o artigo, ou na biblioteca ou no supermercado, porque 4,60 € é muito caro :)

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publicado às 17:20

Dr ou Dra

18.12.18

Lembram-se de há três meses ter desabafado aqui da minha mudança de chefia?

Que o meu novo chefe era amigo pessoal da minha colega e que já se comentava a sua falta de imparcialidade futura...

 

Ora bem, ele vai sair da empresa e levou-a consigo. Assim, no espaço de um ano vou ter a quarta chefia e ficarei o elemento mais experiente da equipa com 11 meses de empresa. A malta que saiu, fui para novos "shared services" e já tinham mais de 6 anos de casa. 

Agora que fiquei obrigado incumbido de organizar a prenda de despedida dela, aderi ao MBWay e muita gente transferiu por essa via.

 

Mas reparei que a maioria dos meus colegas tem o "DR" ou "DRA" no nome da transferência?

Capturar.PNG

 

Vocês também têm?

Será que neste país de "Doutores e Engenheiros" faz jeito ter o título na conta bancária?

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publicado às 18:30

Serviços Partilhados, cada vez mais

11.12.18

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Ontem falei do You vs Doutor e por falar em trabalho e multinacionais, soube-se na semana passada que vem mais uma empresa instalar o seu centro de serviços partilhados no Grande Porto. É a chinesa COFCO.

 

Trata-se de trabalho qualificado (o que é bom) e são cada vez mais empresas a apostar no nosso país.

Razões: estabilidade social, boa formação académica, facilidade de falar línguas estrangeiras (inglês), experiências bem sucedidas e baixos salários.

 

Só nestes últimos 3/4 anos foram várias as multinacionais a reforçarem/implementarem o seu centro de serviços partilhados no Grande Porto. Assim de cabeça: Adidas (Maia), Infineon (Maia), Sodexo (Porto), Natixis (Porto), BNP Paribas (porto), Voltalia (Porto), Faurecia (Feira), HB Fuller (V Conde), Seg Automotive (V Conde), Blip (Porto), Jumia (Porto), Prozis (Maia), Farfetch (Lionesa) e Pentaplast (Lionesa). A Mercadona, Bosch e a Ecco penso que não transferiram os serviços partilhados para cá, apenas centros de investigação e de excelência. Se a estes somarmos os que já cá estavam como as várias Sonae, Nors, Salvador Caetano, NOS, Corticeira Amorim, SuperBock, Monta Engil, etc verificamos uma enorme pressão no emprego nas áreas da Informática, Engenharia e Economia/Gestão/Contabilidade. Como captar e reter o melhor talento?

 

Estas áreas estão a ser muito procuradas e já se começa a sentir uma melhoria dos salários. Nesta fase de implementação, existe a procura por pessoas com alguma experiência, que mudam com prémios salariais. Por outro lado, os recém licenciados/mestres, têm duas características em comum notadas por muita gente: (i) são ótimos no inglês mas (ii) muitos descomprometidos com o trabalho. São a geração pós crise. Eu e vários colegas e amigos já mudamos neste contexto.

 

Para terminar, alguém comentava que o trânsito está cada vez mais caótico no Porto e o facto destas empresas estarem a sair do centro é bom, mas por outro lado há uma rede muito deficiente de transportes públicos. O centro da Lionesa por exemplo, o melhor sucedido espaço de escritórios da região, não tem metro nem comboio. As duas pontes estão completamente lotadas em hora de ponta e é bom começar a pensar nisso.

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publicado às 19:06

You vs Tu vs Doutor(a)

10.12.18

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Nas duas empresas americanas onde já trabalhei, havia no escritório português uma relação muito informal entre as pessoas, tratando-se toda a gente por tu.

 

Na empresa portuguesa onde trabalhei, havia o "você" com algumas pessoas. Algumas com formação exatamente igual à minha.

 

Esta semana estive numa chamada com alguém destacado da empresa na Alemanha e na conversa em inglês, dei por mim a refletir que o "you" resolve muitos problemas.

 

Seja no trato, seja na conjugação verbal. Os ingleses não complicam não andam com o terceiro-mundismo do "você pode" nem o Doutor para cima e para baixo.

 

Quando trabalhei em Auditoria, lembro-me de estar numa empresa cotada na CMVM em que uma das pessoas mais trabalhadoras e competente da firma (com mestrado), tratava o seu chefe por "Doutor". Sim, colegas da mesma empresa com este disparate. A pessoa em causa tinha apenas a licenciatura, mas como teve alguns cargos públicos, notava-se que gostava dessa vassalagem... E isto não foi assim há tanto tempo atrás. Será que para respeitarmos uma chefia a temos que tratar por você? Por Doutor? Por Engenheiro? 

 

Entre desconhecidos ou com pessoas mais velhos, faz parte da nossa cultura a terceira pessoa, o você, mas no trabalho, entre peers, não faz sentido. A melhor coisa que os ingleses inventaram é o "You" :)

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publicado às 18:44

As mudanças no trabalho pós crise

13.09.18

Li uma notícia muito interessante sobre o retrato do mercado de trabalho antes e depois da crise.

Genericamente:

- Maior peso das mulheres

- Mais peso dos trabalhadores qualificados

- Envelhecimento dos trabalhadores

- Mais trabalhadores por conta de outrem

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Se me surpreende? Nada

 

Com a crise, sobretudo em Lisboa, Porto, Braga e Fundão, houve um fenómeno invulgar.

Chegaram muitas empresas internacionais que trouxeram para Portugal os seus centros tecnológicos e de serviços partilhados, procurando pessoas licenciadas (sobretudo nas áreas da engenharia e da economia). Vêm atraídas pela versatilidade em línguas dos portugueses, pela qualidade da formação académica e salários mais baixos face a outros países. O meu atual emprego insere-se neste lote.

 

Com o aumento da independência, igualdade de oportunidades e haver menos homens na área financeira, o peso das mulheres aumenta, ainda que não em posição de  chefias.

 

Por outro lado, estas empresas procuram trabalhadores já com alguma experiência de modo a que, na fase de implementação de projeto, seja mais eficiente e existe uma geração mais velha de licenciados que não houve no passado

 

Outra razão que na minha opinião justifica este envelhecimento do trabalhador é outra, que já ouvi de várias pessoas: a geração de licenciados pós crise, que já foi educado no mundo da Playstation, Facebook e Youtubbers, não é (geralmente) muito comprometida com o trabalho.

Como não passou pelo crise, dizem que não dá valor às oportunidades e não querem saber. Já tinha escrito sobre isso há dias.

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publicado às 18:51

Desabafo

04.09.18

O meu novo manager é amigo pessoal da minha colega de trabalho, ex- chefe dela e foi ele quem a recomendou para as suas atuais funções.

Ela está na firma há 5 anos, eu há 8 meses.

Hoje, o meu ex-manager que me contratou alertou-me que me teria de exceder ao nível das competências para evitar o desiquilibrio da balança...

 

Terei motivos para ficar preocupado? 

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publicado às 18:18

Descontos no IRS

29.08.18

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Uma pessoa ausenta-se das notícias e mal chega fica a saber que vai ser concedido um desconto de 50% de IRS a emigrantes. Só por acaso, é o imposto que leva a maior fatia do meu salário.

 

Em primeiro lugar vai ser preciso definir muito bem quem são esses "emigrantes"

 

Em segundo lugar, vai ser necessário definir as circunstâncias da emigração: a pessoa esteve inscrita no Centro de Emprego? Ou a pessoa emigrou porque recebeu uma proposta de trabalho aliciante do estrangeiro e despediu-se?

 

Em terceiro lugar, e quem ficou por cá, a pagar a sobretaxa de IRS?

Quem ficou com menos 50% do subsídio de Natal?

Quem ouviu o adjetivo de "piegas"? 

 

Em quarto lugar, será que esses emigrantes  querem voltar? Um país dominado pela corrupção e fraude, como se viu esta semana com as manobras de Pedrogão, com o silêncio do poder político? Um país com uma dívida externa muito elevada com sérias reservas quanto à sua sustentabilidade? Um país onde a saúde não é assegurada pelo Estado? Um país com mantém as elevadas desigualdades sociais? Um país que ainda assim tem muita coisa boa, com riqueza cultural e muito fofinho.

 

Não me parece justo para quem ficou no país, ou porque teve a sorte de manter o seu emprego, ou porque não quis abandonar o país, ou porque não arranjou melhor lá fora.

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publicado às 18:38


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