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Cismas com assaltos

27.04.20

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Aqui na rua, tocou à campainha um drogadito pedir uma esmola à hora do jantar.

O meu pai disse que não, que "os patrões não estavam" e foi o suficiente para nem ele nem a minha avó pregarem olho a noite toda. Acho que quando se fala de saúde mental associada a este isolamento, fala-se desta insegurança, desconfiança e cismas que as pessoas ganham por não terem mais em pensar.

 

Nestes dias, algumas pessoas andam preocupadas com a sua segurança e dos seus bens: há um medo generalizado dos assaltos.

 

Três razões:

- Alguma imprensa e discursos de deputados alarmistas (não vou escrever o seu nome).

- Libertação de alguns presos antes do cumprimento da sua pena.

É comum no Natal haver indultos. A questão aqui é o critério/seleção dos presos e o risco para as populações de reincidência dos crimes.

- Receio do futuro do povo português que antecipa miséria, desemprego, falta de dinheiro e este confinamento social torna as pessoas mais ansiosas.

 

Nos EUA os americanos correram às lojas de armas. Por isso, é tão importante os governos/União Europeia agirem reforçando ou dando apoio às empresas, às famílias e sobretudo aos empregos. Acaba até por ser uma questão de confiança. O receio do povo, o pessimismo e até a falta de dinheiro/emprego e de perspectivas podem dar azo à desordem social. E isso é meio caminho andado para populismos e "salvadores da pátria" e eles andam aí à espreita.

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publicado às 16:40

Hoje é o dia da mulher

08.03.20

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Hoje é o dia da Mulher.

Um dia que deve servir de reflexão para o caminho que a sociedade portuguesa, europeia e mundial quer seguir.

Haver dias dedicados e oferecer rosas não chega. De todo. Há um longo caminho a percorrer. Alguns passos felizmente já estão a ser dados. 

 

Se olharmos para os cargos mais influentes em Portugal, vemos poucas mulheres. É melhor que nada, mas não chega.

 

Nas empresas, as mulheres que lideram grandes empresas, estão lá por descendência familiar, nomeadamente Cláudia Azevedo e Paula Amorim. Mérito ou dinastia?

Na Banca nem uma mulher presidente.

Nos accionistas, Isabel dos Santos e a dona do Santander mais uma vez ascenderam pela família. 

Isabel Vaz, Manuela Medeiros e Manuela Tavares de Sousa são algumas exceções.

Nas chefias há poucas mulheres, mas aí sou sincero, o perfil de liderança depende muito da pessoa. Já teve reportes femininos muito complicados e prefiro a liderança masculina. É mais simples e objetiva.

 

Na política, o melhor que houve foram 3 dirigentes partidárias mulheres nos últimos 10/20/30 anos: Manuela Ferreira Leite, Catarina Martins e Assunção Cristas. Apenas uma resiste.

Primeira Ministra nenhuma recentemente, Presidente da República nenhuma e apenas uma na AR:  Assunção Esteves.

Uma ministra, a dos incêndios, disse que se sentiu discriminada quando foi criticada por chorar num funeral e o seu sucessor homem tem feito trinta por uma linha e assobia-se para o lado.

 

Na Justiça, Maria José Morgado, Joana Marques Vidal e Lucília Gago tentam se impôr.

Porém juízes e juízas com acórdãos ridículos como o de Neto de Moura e a discriminação da juíza que tratou carrilho por "Doutor" e a vítima mulher por "Bárbara" envergonham-nos enquanto sociedade.

 

No Desporto, estamos a anos-luz de uma sociedade igualitária. Uma outra atleta se destaca a nível individual (Telma Monteiro, Vanessa Fernandes), mas nos desportos coletivos só agora e apenas o futebol começa a dar os primeiros passos. Mesmo assim, o FC Porto nem essa modalidade abraça.

Na vertente amadora, onde participo, quem anda à mais tempo e as organizações das provas destaca que hoje há muito mais mulheres a correr e a participar em corridas. Ótimo!

 

No mundo milionário da televisão, Cristina Ferreira tem feito a diferença. Muito porque as revistas cor de rosa, também dirigidas por mulheres como na Cofina, lhe dão projeção e polémicas.

No entanto, ainda esta semana, uma jovem youtubber foi humilhada pelo namorado num vídeo em que participou voluntariamente para se vender a uns likes.

 

Já defendi mais as quotas que defendo agora.

O que temos visto são escolhas de mulheres para fazer número. Algumas seleções são apenas para cumprir a lei, mas que não chateiem. Escolhe-se a sogra (como na presidência atual do CDS), a mulheres da família (como no PS de Barcelos) e a primeira que aparecer mesmo que não conheça nem perceba nada do programa que representa (como no PAN Setúbal e que foi eleita deputada).

 

Defendi as quotas como um mal necessário para trazer mais a mulher para os cargos relevantes. Mas o lado negativo desta opção está-se a evidenciar cada vez mais. Li este artigo de opinião e hoje concordo com a conclusão: "a presença quantitativa de mulheres em listas não é, por si só, sinónimo de coisa nenhuma. Na escolha para cargos de responsabilidade, fica à vista a falta de preocupação com o perfil ético e o rigor demonstrado no percurso político. Ou para isso também é preciso criar quotas?"

 

Deixa-me triste estas escolhas e as sobretudo as mulheres que se prestam a este papel!

 

Defendo a igualdade entre homens e mulheres. Hoje, o caminho a percorrer já encurtou mas tem muitas pedras, muitas colocadas pelas mulheres que se prestam a papeis.

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publicado às 11:31

Rui Pinto

03.02.20

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Rui Pinto é um dos nomes mais controversos das últimas semanas. Depois do football leaks, há o Luanda Leaks.

Não sei quem é culpado nem que é inocente, mas sobre isto o que me apraz dizer é:

 

- porque está Rui Pinto a fazer o trabalho das autoridades policiais? Porque é que este hacker não confiou na polícia para fazer as suas denúncias?

 

- Porque razão foram os jornalistas a desencadear o Luanda Leaks e não as autoridades? Porque há tanto medo por afrontar o poder?

 

Sobre Angola, o que leva a crer é que foi a votade política do presidente João Lourenço que fez desencadear os processos (como alguém já disse: todos desconfiavam mas assobiava-se para o lado, uns por uns motivos, outros por outros). Recordo-me de há uns meses em Portugal se ter andado nas palmas das mãos, com as intervenções dos altos poderes do Estado, com os assuntos "irritantes".

Sobre o futebol, clubes à parte nada aconteceu nem a dirigentes nem a empresários. Nem sequer se sabe se são inocentes ou culpados.

Sobre o processo jogo Duplo, ainda se está ao dia de hoje em julgamentos e adiamentos sucessivos... Soa a uma justiça lenta e medrosa.

 

- Faz sentido "só" estar o rapaz estar preso  (até agora)? Porque não ajuda Rui Pinto a polícia a investigar, não para se defender mas para fazer o trabalho dos outros?

 

- O rapaz cometeu um erro: fazer chantagem com a Doyen e isso valeu-lhe prisão. Todos os outros andam e passeiam (nem se sabe se são inocentes ou culpados).

 

- Porque demora tanto a Justiça a investigar, aferir responsabilidades e condenar?

 

- José Miguel Júdice, comentador/advogado/ etc também visado nos Luanda Leaks, já veio demonstrar cautela  no seu discurso. Ao ouvi-lo só me lembrei que quem tem c* tem medo.

 

- Não se se podemos chamar ao Rui Pinto, o Robin dos Bosques dos tempos modernos, mas que este rapaz tem conseguido abanar as estruturas. Inclusivamente, a inoperância e contradições da Justiça em Portugal.

 

Veremos os próximos episódios (se os houver)...

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publicado às 18:03


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