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Vale a pena comprar livros?

20.08.19

Já me coloquei a mim mesmo esta pergunta.

 

Atualmente estou a ler os contos incoporados nos "Serões da Província" de Júlio Dinis num livro perdido aqui em casa. Ainda é do tempo de solteira da ... minha mãe. Enquanto o lia na praia, dei por mim a pensar: há quanto tempo não compro um ,livro?

 

A verdade é que já não compro um livro há muito tempo. Nos últimos dois/três anos, os livros que li ou foram emprestados ou aluguei-os na biblioteca. A razão é simples: muitas vezes gastamos 10 a 20 euros num livro e depois de o lermos, deixamo-los na prateleira a ganhar a pó. Não pegamos mais neles! Uns anos mais tarde pomo-nos a pensar o que fazer com eles ...

 

Oferecer no Natal é sempre uma boa opção. Quantos de nós já releu um livro? Ou é algum que nos marca mesmo muito, ou nunca mais pegamos nele.

 

Daí que ultimamente alugue na biblioteca municipal. Claro que nos temos que sujeitar às limitações de escolha e aos tempos de devolução, mas a reutilização do livros fica garantida. Além de que é gratuito. Quando ficar muito marcado por algum, há sempre a opção de o comprarmos.

 

Claro que esta opção levanta questões como a sobrevivência da industria livreira, mas sobre isso respondo com o preço elevado de um livro que mais que paga o autor, o papel e os custos de distribuição.

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publicado às 18:32

Leituras do Último: A queda dum anjo

23.07.19

Pela primeira vez li uma obra de Camilo Castelo Branco: A queda dum anjo.

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Quando comecei a ler a obra, chamou-me a atenção o vocabulário de Camilo. Muitas das palavras já não se usam hoje em dia o que constitui um desafio, embora se vá percebendo perfeitamente o significado da frase.

 

A personagem principal é um deputado que troca Trás os Montes pelo Parlamento em Lisboa. Estamos a falar do final do século XIX, altura de Camilo.

 

O "anjo" caracteriza-se por ser um acérrimo defensor da moral e bons costumes. Muita retórica, muito blá blá inútil e conservador, como os saudosistas e guardadores da moral e bom costumes gostam.  Vai subindo na vida e nas cortes políticas, arranjando uma amante. Uma brasileira, avantajada, o oposto da sua mulher provinciana e campónia. O dilema da personagem coloca-se na sua imagem política e no dinheiro da sua esposa de casamento. Para viver, o "anjo"  preciso do sustento da mulher que o envergonharia em Lisboa. A piada do livro é perceber como será a queda do anjo. Camilo fugiu ao cliché das novelas e foi pela via mais ética. O deputado prescindiu e deu o divórcio à mulher traída e ambos seguiram o seu caminho sem ficarem presos ao passado e a vinganças.

 

Sobre a escrita de Camilo constatei que revela tal e qual a mentalidade portuguesa: ineficiência.

Páginas e páginas "à volta". A acção não avança. 150 páginas a engonhar, para depois nas 100 finais a história ganhar emoção e ter o seu interesse. O português é assim: deixa tudo para a última. É na seleção, é no trabalho, é na pagamento de impostos. Até nas literatura...

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publicado às 18:15

Leituras: O Casal do Lado

09.01.19

Recebi este livro de Sharin Lapena no Natal e é deste género que gosto.

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Um crime logo no primeiro capítulo, poucas personagens, um detetive, um polícia e 300 páginas no máximo.

 

A história é fluida e com revelações ao longo da história que não deixam tudo para o fim (detesto livros que enrolam e enrolam e a história não avança). 

 

A história começa com o rapto de uma criança e envolve uma mãe em depressão pós parto, um pai falido, uma vizinha  ninfomaníaca, uma avó conservadora e um avô novo rico. Quem raptou a criança?

Sinopse aqui

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publicado às 18:18

Leituras: Cinco quartos de laranja

25.12.18

Neste dia de Natal, andei a fechar a porta pelo Stone Art Books. 

 

Foi a primeira vez que li um livro de Joanne Harris e quando li a sinopse na contracapa na biblioteca, achei ...

Para continuar a ler aqui

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publicado às 19:44

Leituras do Último: Jogos de raiva

08.11.18

Este livro foi sugerido pela Magda Pais e arrisquei as 437 páginas.

 

Não me arrependi.

 

Muito bem escrito, é um reflexo da sociedade portuguesa e quiçá europeia dos finais da segunda década dos anos 2000.

O enredo da história aborda os perfis falsos nas redes sociais, a crítica gratuita (seja de índole sexual, racista, social), a dificuldade em distinguir o verdadeiro de não verdadeiro e as diferentes forma como os caça likes nos pode atingir tomando de exemplo as diferentes personagens da história.

O livro refere também o lado bom das redes:a possibilidade das nossos perfis e comentários nos tornarem conhecidos e tem uma relação deliciosa: a quantificação de quanto os outros gostam de nós com o nº de likes nas nossas publicações.

 

Assim, este livro do Rodrigo Guedes de Carvalho é uma reflexão sobre a dependência da sociedade atual dos ecrãs e todas os seus defeitos.

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publicado às 18:17

Leituras do Último: Livro de José Luís Peixoto

13.03.18

Tinha alguma curiosidade em ler este autor português mais contemporâneo. Procurei no Doutor Google e as críticas sobre este "Livro" eram bastante positivas. Li-o e não me arrependi.

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A primeira parte da ação "Livro" passa-se numa vila rural portuguesa no Estado Novo e explora a emigração portuguesa no anos 60 e 70. O estereótipo do português pedreiro e da portuguesa empregada de limpeza, pouco instruídos e com novo-riquismo, estão presentes na trama.

As personagens só são apresentadas pelo primeiro nome, refletindo a simplicidade e generalização social das mesmas.

 

O rapaz chama-se Ilidio e a moça Adelaide e vivem um namoro de adolescência, mas presos pelo preconceito e timidez próprio do regime. Ambos, sem futuro sorridente na ruralidade, são obrigados a emigrar para França, onde seguem caminhos diferentes. É feita uma descrição com peripécias da viagem  entre ambos os países, sendo dada ênfase ao peso da adaptação ao novo país e que muitos portugueses devem ter sentido. 

 

Depois, vem a segunda parte do livro, já após o 25 de Abril, com uma carga muito mais leve e de leitura mais rápida. As personagens regressam à aldeia, encontram-se, já no usufruto da reforma e do que ganharam.

 

Fiquei agradavelmente surpreendido com a escrita do autor, fluida, realista e criativa. Com alguns toques de humor, conseguiu retratar uma época qua ainda é familiar com uma história muito interessante e emocionante.

 

Recomendo. 

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publicado às 19:39

O filme Um Crime no Expresso do oriente

07.12.17

Foi mera coincidência eu ter lido o livro como contei ontem e o filme ter estreado no mês passado.

 

Digo-vos, meus ricos 6,50 €.  Arrependi-me imenso de ter gasto 2 horas a ver o filme. É uma adaptação desastrosa da história!

 

As personagens mudam (umas desaparecem) e deixa-mse os pormenores das personagens que ajudam a resolver o mistério para 2º plano realçando-se os "efeitos especiais" . Para se ter uma ideia:

   - as primeiras 15 páginas da história, em que Agatha Christie faz uma espécie de introdução à viagem de comboio e que não têm interesse (daí só 15pág. em 200), ocupam nada mais nada menos que 25% do tempo de filme. Ou seja, 25% do filme é palha onde não se narra nada e mostra-se os efeitos especiais.

   -  no filme até inventam um amor perdido no tempo do detetive Poirrot e nunca Agatha Chistie refere tal facto. Mais uma vez leva-se a ação para o "vendável", o cor de rosa e para o secundário.O que ganhou a história com isso?

  - o comboio para devido à neve tal como no livro, mas no filme pára em cima de uma ponte enorme cheia de efeitos especiais. Fica melhor cinematograficamente. No livro, o pormenor que permite saber que há um assassino no comboio é o facto de não haver pagadas na neve...

- No filme há pistolas, violência e luta. No livro não. Poirrot passa de um detetive a um polícia das forças especiais. Vende mais assim. ...

 

O mistério, os detalhes das personagens e das personalidades são adulterados, tornando-se desinteressantes e confuso.

Lamento ser spoiller, mas o livro é mil vezes melhor.

 

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publicado às 19:31

Leituras do Último: Um Crime no Expresso do Oriente

06.12.17

Depois da desilusão com Batista Bastos, aproveitei o fim de semana em frente à lareira para ler Um Crime no Expresso do Oriente da Agatha Cristhie.

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Foi o primeiro livro que li dela e gostei imenso. Tendo em conta que estamos na década de 30 é bastante criativo e genuíno.

 

História

O detetive Poirrot viaja no comboio do "Expresso do Oriente" com destino a Paris. O comboio vem anormalmente cheio e na primeira noite de viagem a pesonagem que é assassinada pede-lhe ajuda dizendo que corre perigo. Poirrot, que não ia em trabalho, desvaloriza. Na noite seguinte, ela é assassinada e Poirrot entra em serviço. A história, muito bem escrita, trata de descobrir o assassino.

 

Pontos positivos

- Os pormenores

Não conhecia a escrita de Agatha, mas todos os pormenores que parecem redundantes acabam por ter um contributo decisivo na trama.

 

- História Criativa, mas não forçada.

Quando li o livro Cidades de Papel, critiquei o facto de achar a história demasiado rebuscada e já a pensar no filme. Neste livro, acho o contrário. A história é muito sequencial, muito genuína, mas misteriosa.

 

- Vontade de ler o capítulo seguinte

Cada depoiamento traz uma pista nova e não enrola (200 páginas). Muito bem escrito.

 

Pontos negativos

Não tenho.

 

Amanhã, falo sobre o filme que vi no domingo. Uma enorme desilusão. Nada fiel ao livro e muita a pensar na bilheteira e nos efeitos gráficos.

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publicado às 18:46

Leituras do Último: A colina de cristal

02.11.17

colina (2).jpgÉ um livro de Batista Bastos.

  

História

Existem duas personagens: o Centauro e o Rémora. Ambas se encontram no tempo e fazem um percurso solitário enquanto calceteiros.São descritos alguns episódios do nomadismo e solidão desta profissão.Conseguimos localizar-nos no tempo. A ação passa-se durante a instauração da 2ª República, com a asceção do Estado Novo ao poder e inclui alguns relatos da criação da legião portuguesa.

 

Opinião

Tenho dificuldades em elogiar o livro, pois não é muito percetível a história, nem a mensagem que pretende transmitir. Nem sequer consigo dar a minha interpretação o título. Talvez o problema seja meu, mas achei-o muito filosófico.

Porém, existem passagens interessantes sobre a instauração do regime Salazarista. Podia ser tão mais explorada...

 

Pontos positivos

- Algumas (mas poucas) descrições da implementação do Estado Novo em Portugal e o que era a "legião Portuguesa".

- Algumas descrições pormenorizadas do carater nómada dos estradeiros - penso que seja essa uma das mensagens do livro (?)

 

Pontos negativos

- Não tem história, fio condutor e a mensagem não é clara. O autor tem um extenso vocabulário, mas torna a narrativa muito complexa, indireta e eu, pessoalmente, não aprecio o estilo. Gosto de histórias claras em que se consegue facilmente resumi-la e que gera vontade a página seguinte. Não foi o caso.

- Fica a impressão que a história poderia ter sido muito mais desenvolvida e explorada, como o porquê do nome das personagens, episódios ligados à chegada do Estado Novo, o percurso errante e duro dos calceteiros.

 

Uma grande desilusão.Valeu (apenas) pela noção do que era a mocidade portuguesa.

 

P.S.: Têm aqui uma opinião diferente da minha. Foi a única crítica que encontrei.

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publicado às 20:32

Leituras do Último: O Conde de Abranhos

10.10.17

O Conde de Abranhos foi escrito por Eça de Queirós.

Tinha as expectativas elevadas. Foi-me recomendado por dois professores do Secundário e mais recentemente por um amigo. Digo-vos vale bem a pena. É um livro de crítica e sátira à classe política  do século XIX, mas podia ser de 2017.

 

História

A história é uma biografia do Conde de Abranhos, que chegou ministro da Marinha. É escrita pelo seu secretário, sempre muito elogioso e glorificador do Conde (ora não ficasse para a posteridade). É-nos relatado o percurso de vida, desde a família onde nasceu, a vida de estudante, a negação dos pais pobres e analfabetos, o casamento sem amor (ou melhor por amor ao dinheiro e aos amigos influentes do sogro), a ascensão partidária e na carreira, a esperteza dos "amigos" e  a nomeação a ministro, sem que perceba nada de Marinha.

 

Opinião 

As elevadas expectativas cumpriram-se.

Este livro é um deleite, relativamente curto  e o Conde Abranhos parece inspirado numa história real.

 

- Ironia

Os exageros, a vassalagem, o realismo cru na podridão política  e a crítica implícita são do melhor.

 

- O "ministro" que nega os pais pobres e plebeus

"Como estadista, a presença na sua casa daquele pai de feição reles, a comer arroz com faca, a escabichar os dentes com as unhas, só serviria a autoridade moral do Conde e o prestígio do seu talento". "Só receberia o pai em sua casa, com a condição de nunca aparecer aos jantares". Claro que a compaixão tinha de estar presente, como homem cristão, enviando a esmola ao pai plebeu.

 

- O abandono da amiga colorida grávida

O Conde estudou Direito em Coimbra e envolveu-se com uma empregada da casa onde estava hospedado. Esta engravidou e este ignorou-a, pois não tinha o estatuto nem lhe traria qualquer beneficio. "naquele espírito nobre sempre houvera horror a miseráveis".

 

- O casamento por interesse

É intencional o modo como é descrita a família e o que despertou o interesse do Conde na sua futura mulher. Uns sogros de feitio intragável e uma jovem desinteressante, mas com influência política e financeira que o ajudariam a subir na vida e carreira. 

 

- A aproximação interesseira ao padre

Para ganhar crédito de genro perfeito, o Conde foi viver para casa do padre, pois este tinha influência positiva na família. Todas as famílias influentes tinham o "seu" padre.

 

- Os meios para ser eleito deputado por Freixo de Espada à Cinta

Vivendo em Lisboa, renegando a familia de Penafiel e estudando em Coimbra, propuseram-lhe chegar a deputado por ... Freixo de Espada à Cinta: "tendo-se informado com cuidado dos nomes das pessoas influentes de FEC, a todas escreveu, oferecendo a sua influência, os serviços da sua eloquênicas e a sua casa" "Naturalmente logo que o conde foi nomeado Par do reino, esta benevolência findou e livrou-se para sempre "daquela cambada de carrapatos"".

 

- A ânsia do poleiro

Eis como é descrito o desejo de todos os que rodeiam o conde que ele chegue a ministro: " a pensão de reforma da D. Amália, o emprego do sobrinho da D. Joana, as ascensão canónica do Padre Augusto, os serviços do "Doutor", a ascensão social da esposa e da sogra à corte.

 

- A troca de favores na política

"Todos sabiam por compromissos antigos que a pasta da Marinha seria dada a Abranhos.

 

- A ascensão sem mérito

O conde era de Direito, mas foi nomeado Ministro da Marinha sem perceber nada da Marinha: "Notai que o Conde não era um Homem do Ofício". Só viu o mar aos 21 anos, tinha "antipatia" por ele", "sempre detestou o mar", "o horror do conde a navios era invencível", desvaloriza a geografia "nunca compreendeu cálculos estranhos de graus, latitudes e longitudes, nem dava grande crédito à ciência da navegação" e para perante uma gaffe de não saber onde ficava Moçambique (à época, colónia), diz "que fique na costa ocidental ou oriental, nada tira a que seja verdadeira a doutrina que estabeleço".

 

O livro é uma sátira à classe política do século XIX, mas podia ser de 2017, pois como o próprio dizia, as moscas mudam, mas a ... é a mesma. Portugal não evoluiu muito, pois conseguimos rever a classe política portuguesa, os "jotinhas" nesta personagem de fictícia tem muito pouco. Vale bem a pena!

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publicado às 12:14


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