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Casa

18.03.20

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Regressar a casa, entrar em casa, desfrutar da casa é como estar num refúgio.

 

Nunca trabalhei a partir de casa, exceto situações pontuais à noite em que tive que acabar alguma coisa.

Só nesta última empresa é que se dava a possibilidade de teletrabalho. Era dos poucos colaboradores que nunca tinha usufruído até esta semana. Sempre vi que o escritório é para trabalhar e não queria misturar os sítios. Casa para descanso e work-out, trabalho para obrigação. É psicológico.

 

Desde 2ª feira, o sítio onde costumo escrever no aqui no blog e onde costumo estar em "tempo livre" virou o escritório por tempo indeterminado. Não gosto. Vai-me custar a habituar. É estranho ter esta sensação de continuidade. Porém nos próximso tempos, ter trabalho será uma sorte.

 

E vocês como se estão adaptar?

 

PS: O Coronavirus não escolhe ricos nem pobres, nem brancos nem pretos. A segunda vítima mortal é um dos grandes banqueiros portugueses.

PS II: Não deixa de ser absurdo que haja pessoas que nesta crise andem a vandalizar caixotes do lixo. Já não bastava as autoridades andarem a controlar a população, ainda aparecem estes criminosos.

PS III: Haver pessoas a aproveitarem-se desta situação para burlas com falsos peditórios é inacreditável.

PSIV: Já tinha falado nos riscos para a violência doméstica e para o perigo que esta clausura pode ter. Vejam este artigo.

PS V: A única boa notícia desta crise é a redução da poluição. Lêm-se notícias que as águas de Veneza estão mais limpas.

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publicado às 20:34

Pára tudo!

11.03.20

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Pela primeira vez na minha vida e acho que na maioria das pessoas, assistimos a um cenário mundial em que "pára tudo!".

 

A população é mandada para casa sem saber até quando e com tudo suspenso.

 

Ponho-me a refletir em quão frágil é o ser humano. Após tanto inovação, automatismos e tecnologia, como é que um vírus faz parar o mundo, lança o pânico e não há solução.

Acho que agora, muitos de nós vamos dar valor a pequenas coisas como a liberdade (porque não?), a importância de ter uma horta em casa e dos defeitos da globalização.

 

Não dramatizo e vou continuar a ir para o trabalho com normalidade (enquanto não houver ordens superiores em contrário). Naturalmente os cuidados vão ser redobrados.

 

A propósito, há uma boa notícia: os níveis de poluição baixaram muito no último mês. A paragem de muitas fábricas na China e a redução de voos tornaram o planeta mais limpo. É isto é estranho e paradoxal.

 

PS: Nem vou comentar o pessoal universitário (!!!) que foi para a praia!

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publicado às 21:47

Hoje é o dia da mulher

08.03.20

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Hoje é o dia da Mulher.

Um dia que deve servir de reflexão para o caminho que a sociedade portuguesa, europeia e mundial quer seguir.

Haver dias dedicados e oferecer rosas não chega. De todo. Há um longo caminho a percorrer. Alguns passos felizmente já estão a ser dados. 

 

Se olharmos para os cargos mais influentes em Portugal, vemos poucas mulheres. É melhor que nada, mas não chega.

 

Nas empresas, as mulheres que lideram grandes empresas, estão lá por descendência familiar, nomeadamente Cláudia Azevedo e Paula Amorim. Mérito ou dinastia?

Na Banca nem uma mulher presidente.

Nos accionistas, Isabel dos Santos e a dona do Santander mais uma vez ascenderam pela família. 

Isabel Vaz, Manuela Medeiros e Manuela Tavares de Sousa são algumas exceções.

Nas chefias há poucas mulheres, mas aí sou sincero, o perfil de liderança depende muito da pessoa. Já teve reportes femininos muito complicados e prefiro a liderança masculina. É mais simples e objetiva.

 

Na política, o melhor que houve foram 3 dirigentes partidárias mulheres nos últimos 10/20/30 anos: Manuela Ferreira Leite, Catarina Martins e Assunção Cristas. Apenas uma resiste.

Primeira Ministra nenhuma recentemente, Presidente da República nenhuma e apenas uma na AR:  Assunção Esteves.

Uma ministra, a dos incêndios, disse que se sentiu discriminada quando foi criticada por chorar num funeral e o seu sucessor homem tem feito trinta por uma linha e assobia-se para o lado.

 

Na Justiça, Maria José Morgado, Joana Marques Vidal e Lucília Gago tentam se impôr.

Porém juízes e juízas com acórdãos ridículos como o de Neto de Moura e a discriminação da juíza que tratou carrilho por "Doutor" e a vítima mulher por "Bárbara" envergonham-nos enquanto sociedade.

 

No Desporto, estamos a anos-luz de uma sociedade igualitária. Uma outra atleta se destaca a nível individual (Telma Monteiro, Vanessa Fernandes), mas nos desportos coletivos só agora e apenas o futebol começa a dar os primeiros passos. Mesmo assim, o FC Porto nem essa modalidade abraça.

Na vertente amadora, onde participo, quem anda à mais tempo e as organizações das provas destaca que hoje há muito mais mulheres a correr e a participar em corridas. Ótimo!

 

No mundo milionário da televisão, Cristina Ferreira tem feito a diferença. Muito porque as revistas cor de rosa, também dirigidas por mulheres como na Cofina, lhe dão projeção e polémicas.

No entanto, ainda esta semana, uma jovem youtubber foi humilhada pelo namorado num vídeo em que participou voluntariamente para se vender a uns likes.

 

Já defendi mais as quotas que defendo agora.

O que temos visto são escolhas de mulheres para fazer número. Algumas seleções são apenas para cumprir a lei, mas que não chateiem. Escolhe-se a sogra (como na presidência atual do CDS), a mulheres da família (como no PS de Barcelos) e a primeira que aparecer mesmo que não conheça nem perceba nada do programa que representa (como no PAN Setúbal e que foi eleita deputada).

 

Defendi as quotas como um mal necessário para trazer mais a mulher para os cargos relevantes. Mas o lado negativo desta opção está-se a evidenciar cada vez mais. Li este artigo de opinião e hoje concordo com a conclusão: "a presença quantitativa de mulheres em listas não é, por si só, sinónimo de coisa nenhuma. Na escolha para cargos de responsabilidade, fica à vista a falta de preocupação com o perfil ético e o rigor demonstrado no percurso político. Ou para isso também é preciso criar quotas?"

 

Deixa-me triste estas escolhas e as sobretudo as mulheres que se prestam a este papel!

 

Defendo a igualdade entre homens e mulheres. Hoje, o caminho a percorrer já encurtou mas tem muitas pedras, muitas colocadas pelas mulheres que se prestam a papeis.

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publicado às 11:31

A violência num país que só se foca no acessório

31.01.20

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Os meus temas começam a ser repetitivos, porque há situações que me deixam agastado.

 

Hoje num programa de TV vão ser divulgados vídeos chocantes a denunciar maus tratos a idosos. Não é caso único. Todos sabemos disso. Nalguns não há provas, noutros prefere-se ignorar. São os outros, os indefesos, não somos nós.

No blog falo repetidas vezes sobre a violência doméstica que não é exclusiva de homens para mulheres.

 

Pouco ou nada se faz. A lei demasiado branda, uns media que apenas procuram click bait e show off de circunstância levam a um status quo que agastam. A própria população só se foca no seu umbigo.

 

Esta semana as redes sociais e os noticiários andaram atrás de dois indivíduos que vêm para as redes sociais (André V. e Joacine KM - não escrevo o nome completo propositadamente para não contar para as estatísticas de popularidade) apenas para ganharem protagonismo.

Os temas importantes ficam de lado, porque dá trabalho, não dá audiências nem likes.

 

Enquanto, nós, enquanto sociedade, continuarmos neste show de aparências nada vai mudar, nada se melhora.

Hoje são aqueles velhinhos, coitados, amanhã podemos ser nós.

Espero que após esta reportagem, a justiça apure a verdade e haja consequências exemplares (e que sejam noticiadas!)

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publicado às 19:18

O INEM

19.01.20

Felizmente nunca precisei de chamar o INEM. 

 

Esta semana, assisti o INEM a fazer o seu ato de contrição público, a reconhecer falhas e erros, anunciando aos quatro ventos contraordenações e processos disciplinares.

 

Olhando para a vítima, quem foi? Um ilustre português, cuja filha é ex-política e comentadora no canal de TV Cabo mais visto no país!!

A questão que coloco é: se fosse um anónimo vítima da negligência do INEM haveria o mesmo cuidado e anúncio?

Será que falhas humanas não existem todos os dias sem culpados porque a vítima foi o "Zé" ou a "Maria" e não o "Doutor"?

 

Lembrei-me deste vídeo...

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publicado às 12:46

Palavra do ano: violência

06.01.20

Várias vezes falo neste tema e no flagelo que existe na sociedade portuguesa.

Os votante elegeram a palavra "violência" como a palavra do ano de 2019.

Uma espécie de memória para as dezenas de mortes vítimas de violência (doméstica).

Fica sobretudo a ideia de uma justiça demasiado benevolente com os agressores. Acordões judiciais que não lembram a ninguém. Tratamento diferenciado por "Doutor" ao agressor e "Bárbara" à vítima não são razoáveis.

 

E insisto que violência não é só um homem bater na mulher.

É também a mulher bater no homem, as agressões contra idosos, de pais para crianças e não é só física. Também é psicológica.

Pode inclusivamente ser extensível aos animais de companhia.

Espero que o código penal reflita as preocupações da sociedade e torne este crime mais punido.

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publicado às 22:56

Balanço de 2019

28.12.19

Seguindo a tradição dos últimos anos, vamos lá fazer o balanço de 2019.

Em geral, foi um bom ano. Mais calmo que o anterior.

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- Saúde

Tudo ótimo felizmente. Sem incidentes.

 

- Família

Dentro da normalidade, felizmente. Tudo ótimo de saúde e energia.

 

- Mudança de carro

Adiei bastante esta troca. Quis evitar o recurso ao crédito bancário, por isso adiei, esperando pelo momento e oportunidade certa.

 

- Bélgica, uma boa surpresa

Maio foi o mês escolhido para fazer uma pausa e ir à Bélgica. Um mês sem grandes confusões e um destino com voos baratos. A base foi Bruxelas, sem grande azafama devido às eleições europeias que se realizaram nos dias seguintes. Com uma excelente rede de comboios, visitei Antuérpia, Ghent e Brugges.

 

- Itália, uma tour

Em Setembro optei por Itália. Um destino planeado com alguns meses de antecedência. Comecei em Roma e terminei em Milão, visitando um total de 6 cidades. Uma altura sem confusões e com bilhetes de comboio comprados com 2 meses de antecedência.

 

 

- Coimbra, um regresso

Visitei Coimbra em Maio, num fim de semana. Já não ia lá há mais de dez anos. A cidade pareceu-me parada na "tradição" o que não é necessariamente bom. No mesmo fim de semana, visitei a Quinta das Lágrimas e a Serra da Lousã.

 

- Piodão em família

No primeiro semestre, fomos a Piodão e no regresso passamos pela Mata do Bussaco e a sua fantástica escadaria.

 

- Exercício físico

Depois da cirurgia de 2017, continuei as boas práticas desportivas. Comecei a correr certinho semanalmente com um grupo e fui a algumas "provas". Prefiro chamar eventos. Corro para comer . Tudo na desportiva.

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- Peregrinação ao S. Bento

Agosto, véspera de feriado. Com uma malta, fomos em peregrinação desde a estação de Braga até ao São Bento da Porta Aberta. 8 horas a caminhar durante a noite. A experiência mais exigente e inédita do ano.

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- Alimentação

Dei continuidade ao compromisso de reduzir as carnes vermelhas, comer mais vegetais e carnes branca. Procurei também optar por alimentos biológicos e mantive a minha determinação em fugir aos alimentos mais processados.

 

- Redução de consumo e andar mais a pé

Mais consciência ecológica e financeira, fizeram-me ser mais criterioso no consumo. Optei por reduzir os resíduos, reciclar mais e andar mais a pé. 

 

Se 2020 for igual a 2019 já será muito bom!

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publicado às 14:44

Desistência da profissão

27.12.19

Ontem veio a público o salário que um banco privado pagava à esposa do seu presidente apesar de ela não fazer nada de produtivo da empresa. Inicialmente era mentira, agora já é verdade mas descontado do salário do marido. Quando não se é claro é porque há algo a esconder? 

 

Não é caso único, bem como as mesadas dadas a filhos fazendo parte da folha salarial (e tributadas).

 

Vou abordar a questão de um lado mais humano, o lado das pessoas (99,9% mulheres) que desistem de uma vida profissional, mas que não auferem remuneração. Fala das mulheres domésticas. Algo promovido pelo Estado Novo e que ainda existe muito na sociedade portuguesa. Tem tendido a diminuir fruto da emancipação da mulher no pós 25 de Abril.  Hoje em dia, ainda existe por ex. no caso das esposas de jogadores de futebol que também andam de um lado para o outro.

 

A maioria destas mulheres vivem na dependência dos maridos. Dependência económica e emocional. Cuidam da casa e dos filhos, sendo o seu trabalho não remunerado nem sequer valorizado. Uns casos é opção e acomodação. Outros fruto da cultura portuguesa. Acho que a maioria mais cedo ou mais tarde se arrependem sobretudo depois dos filhos saírem de casa.

 

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publicado às 09:04

Zona de conforto

22.11.19

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"Sair da zona de conforto" é uma expressão muitas vezes usada para uma mudança.

A questão é até que ponto esta saída deve ser radical e ficarmos sem rede.

 

Em tempos, um ex-primeiro ministro português acusou o povo que o elegeu de ser piegas por não querer emigrar e estar sempre a queixar-se. Acho que a atitude perante uma mudança depende de várias coisas.

Uma é personalidade da pessoa, outra é a situação familiar, profissional ou emocional da pessoa e por fim a rede que a pessoa vai ter nessa mudança. Essa rede no trapézio que a vida e as situações inesperadas deve ser sempre o meio termo. Ter alguma segurança nunca fez mal a ninguém, mas estar protegido (pelos pais ou "padrinhos") também não leva a lado ninguém.

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publicado às 18:41

A emigração dos licenciados

20.11.19

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Mais uma vez se fala da emigração de portugueses diplomados que aumentou em 2018. Continua com uma % muito elevada e numa altura em que fala se se deve ou não chumbar os alunos até ao 9º ano.

 

Nos últimos dois/três anos têm chegado a Portugal várias multinacionais com "serviços partilhados", "centros de competências" e outros nomes bonitos, que têm contratado pessoas licenciadas (maioritariamente pessoas de economia/gestão/engenharia e informática). Com isto, tem-se verificado um maior dinamismo do mercado de trabalho, levando até a um aumento dos salários nestas áreas. O problema é o resto.

 

Se a população está mais letrada, essa percentagem faz sentido aumentar. Mas há áreas onde os salários continuam muito baixos, em que a remuneração por hora é muito baixa e onde há muita precariedade. Naturalmente que não há respostas nem alternativas senão procurar melhor lá fora. 

O caso da saúde é mais paradigmático, mas existem outros ainda piores.

 

E com isto, vamos aos chumbos dos alunos. Será esse um dos problemas da educação em Portugal? Se os profissionais portugueses são reconhecidos lá fora, será que a qualidade é assim tão má? Serão os chumbos um dos principais problemas da educação portuguesa?

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publicado às 18:13


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